terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Medicina brasileira sempre foi vanguarda no combate à homofobia


No artigo primeiro do dos Princípios Fundamentais do Código de Ética Médica está escrito  “A Medicina  é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e será exercida sem discriminação de nenhuma natureza.” Assim devemos sempre ressaltar que não podemos atender com diferenças a qualquer um que busque o nosso auxílio, independente de etnia, credo e, muito menos orientação sexual.
O texto a seguir foi publicado originalmente e recentemente na página institucional do CFM. Escrito pelo amigo e Conselheiro do Conselho Federal de Medicina pelo Estado do Piauí, Dr. Leonardo Luz, foi adaptado pelo Academia Médica com a autorização do autor, devido à relevância do assunto para o desenvolvimento de uma medicina que deve seguir sempre a premissa inicial do Código de Ética Médica.
* por Leonardo Sérvio  Luz
Em 1985, portanto há 30 anos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) retirava a Homossexualidade do rol de patologias, comunicando tal fato a todos os médicos do país. Em posição de vanguarda e em sintonia com a necessidade de corrigir tamanho “erro” da comunidade científica internacional, o Conselho se antecipou até mesmo em relação a Organização Mundial da Saúde e a Classificação Internacional das Doenças (CID) em sua décima versão, que retiraram a homossexualidade do rol de doenças em 1990 e 1992 respectivamente.
Faço questão de destacar que a Orientação Sexual é algo inerente ao ser humano em sua diversidade. É normal e saudável o amor e o desejo em sua plenitude onde duas pessoas compartilham de carinho, respeito e cumplicidade afetiva. Não cabe mais, hoje em dia, qualquer forma de exclusão ou preconceito. Como médico brasileiro, busco sempre a excelência no respeito e no cuidado às pessoas. Assim, entendo que cidadãos merecem apoio, respeito e também cuidados, quando necessários, no tocante à vivência de sua Orientação Sexual.
Nesse sentido, aproveito a recente Decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos – que autorizou a união civil entre pessoas do mesmo sexo ( 26 de Junho de 2015) para marcar posicionamento de que os Médicos brasileiros repudiam qualquer ato homofóbico. Apesar de ainda vivermos momentos onde ideologias ou credos religiosos aparecem como confundidores nessa questão (chegando até a debater “cura gay”), lembro que a Ciência, a cada dia, entende que a Sexualidade do ser humano é bastante diversa, tanto vertentes genéticas e sociais, também verificadas em várias espécies de animais na natureza.
Entendo sim que o sofrimento psíquico, decorrente de preconceito e da não permissão de uma identidade social, ainda gera muita angústia em milhares de indivíduos. A Psiquiatria, em sua área de atuação Sexualidade, entende que a Homofobia pode, inclusive, aumentar o número de casos de Transtornos Depressivos e de Suicídio, extensamente documentado na literatura médica mundial, acarretando dor e sofrimento a milhares de indivíduos.
Enfatizando o combate a Homofobia, como Médico brasileiro deixo o meu abraço e o meu respeito a toda população brasileira, em sua mais diversa manifestação saudável da sexualidade inerente ao ser humano. Assim, passados 30 anos, momento em que o Conselho Federal de Medicina orientou a retirada da Homossexualidade do rol de doenças, venho ratificar um claro entendimento: o repúdio a qualquer forma de Preconceito.
*Dr. Leonardo Luz é Psiquiatra, Doutor em Bioética, professor da Universidade Federal do Piauí e conselheiro federal representante do Estado do Piauí.

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