domingo, 13 de dezembro de 2015

Escola de Águas Mornas recebe prêmio nacional de Direitos Humanos com projeto que discute homofobia, sexualidade e racismo


 

No momento em que o país e os Estados definem os planos de educação para os próximos 10 anos sem incluir questões de sexualidade e identidade de gênero, o exemplo no sentido contrário vem de uma pequena cidade de Santa Catarina. Na Escola de Educação Básica Coronel Antônio Lehmkuhl, em Águas Mornas, na Grande Florianópolis, esses temas fazem parte do cotidiano dos alunos há cinco anos e nesta sexta-feira a iniciativa será reconhecida nacionalmente. O projeto Expressão de Gênero da Infância à Juventude e Faces da Homofobia foi o vencedor da categoria Garantia dos Direitos da População LGBT, do Prêmio Direitos Humanos 2015, que será entregue em Brasília.
 
Estruturadas como projeto, as atividades começaram em 2013, depois que a professora de Língua Portuguesa Maria Gabriela Abreu fez um curso de extensão pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sobre gênero e diversidade na escola. A partir da capacitação, ela colocou a teoria em prática na escola de cerca de 400 alunos. Primeiro, o assunto foi introduzido de maneira leve e informal às aulas, para depois partir para oficinas, dinâmicas, debates e confecção de cartazes sobre a temática do Concurso de Cartazes: Trans-Lesbo-Homofobia e Heterossexismo nas Escolas, promovido pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades — Projeto de Extensão Papo Sério da UFSC
 
Hoje o trabalho é feito com as nonas séries do ensino fundamental e com as turmas da primeira à terceira série do ensino médio. As ações ocorrem nas aulas da professora Maria Gabriela e também nas do professor Robson Ferreira Fernandes, que leciona Sociologia e Filosofia.
 
O projeto foi crescendo ao longo dos anos, com os assuntos específicos dentro dos temas globais sendo trabalhados conforme a realidade de cada ano. De um início tímido, com atividades espaçadas, a ideia ganhou força e incentivo de toda a escola, incluindo a direção. O resultado foi o amplo destaque acadêmico no Estado, com várias premiações dos educadores e dos alunos em premiações de gênero e diversidade da UFSC.
 
— Em tempo de tanta desinformação, esse projeto e o reconhecimento dele mostra que é possível trabalhar esse tema. Não vamos influenciar a sexualidade de ninguém, só queremos ter alunos mais respeitosos, lutar para que menos pessoas sofram preconceito — destaca Maria Gabriela.
 
Fonte: A Notícia
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário