quarta-feira, 11 de novembro de 2015

25 filmes LGBT que você precisa assistir



Vale lembrar que os filmes, aqui listados, são só alguns (dos quais você precisa ver) que discutem sexualidade e gênero. Muitos outros, além de séries televisivas, propõem um olhar mais justo e não tão “coisa de outro mundo” sobre diversidade e diferença | Fotos: Reprodução

Brunno Falcão
Especial para o Jornal Opção


Favorecendo debates necessários –– com urgência ––, a sétima arte tem abordado as diversas formas da sexualidade humana com aproximações diferentes e bastante efetivas. Meio cultural de grande influência sobre a vida de públicos diversos, o cinema tem sido ferramenta fundamental para levar conhecimento e combater preconceitos mundo afora. Nesta lista, uma amostragem de sucessos –– aos olhos deste que vos escreve –– na abordagem, no Brasil, Reino Unido, França, EUA, Israel, Canadá, Alemanha, Suécia, México e Peru, de temas ligados a diversas cores entre o preto e o branco da sexualidade humana.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Brasil, 2014)

Escrito, produzido e dirigido por Daniel Ribeiro e estrelado por Guilherme Lobo, Fábio Audi e Tess Amorim, o premiadíssimo longa é baseado no curta-metragem com o mesmo trio de jovens atores e dirigido por Ribeiro, lançado em 2010, “Eu Não Quero Voltar Sozinho”. O longa conta a história de Leonardo (Lobo), um adolescente cego que descobre a sua sexualidade acompanhado de seus amigos. Leve, o filme agrada principalmente por tratar de forma delicada e natural tanto a sexualidade quanto a deficiência de seu protagonista.

Delicada Atração (Beautiful Thing, Reino Unido, 1996)

Também leve e despretensioso, “Delicada Atração” é outro filme que trata da descoberta e aceitação da sexualidade, além do primeiro amor entre dois garotos que precisam enfrentar conflitos familiares para serem fieis a si mesmos. Estrelado por Glen Berry e Scott Neal, dirigido por Hettie MacDonald e escrito por Jonathan Harvey, o longa tem 90% de avaliações positivas no site especializado em críticas Rotten Tomatoes. Importante citar que uma de suas mais marcantes cenas é ao som de “Dream a Little Dream of Me”, de The Mamas and The Papas. Aliás, a ótima trilha sonora é praticamente toda cantada por Mama Cass.
Transamérica (Transamerica, EUA, 2005)
Escrito e dirigido por Duncan Tucker, o longa independente, estrelado por Felicity Huffman –– que ganhou o Globo de Ouro como melhor atriz em um filme dramático e foi indicada ao Oscar por seu papel –– e Kevin Zegers, conta a história de Bree, uma mulher transexual que, logo antes de sua cirurgia de readequação sexual, descobre que tem um filho de 17 anos que está passando por problemas diversos. O filme merece destaque nesta lista por tratar do processo psicológico (e físico) pelo qual transexuais passam até que seja finalizada a adequação ao seu gênero, assim como sua relação com familiares.
Contracorrente (Contracorriente, Peru, 2009)
“Eu não posso te amar. Não é certo.” A frase de Miguel (Cristian Mercado) resume o conflito em relação a seu amor por Santiago (Manolo Cardona) em uma pequena comunidade conservadora peruana. Escrito e dirigido por Javier Fuentes-León, o filme trata do embate entre os sentimentos que Miguel nutre por sua mulher grávida e por Santiago, um amor vivido em segredo até que este morre, mas permanece ligado ao plano terrestre como um fantasma, que auxilia a aceitação de Miguel. Como alguém bem resumiu, parece uma bela mistura entre “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Dona Flor e seus Dois Maridos”.
Laurence Anyways (Canadá, 2012)
Vencedor da Queer Palm, prêmio para filmes de temática LGBT do festival de Cannes, “Laurence Anyways” acompanha dez anos da vida de uma personagem transexual, tratando de sua transição e da relação com seu amor, familiares e também no ambiente de trabalho. Escrito e dirigido por Xavier Dolan, o principal destaque do filme é a diferenciação entre identidade de gênero e orientação sexual, já que Laurence (Melvil Poupaud), mesmo se adequando à sua identidade como mulher, continua apaixonada por sua namorada, uma mulher cis.
Milk: A Voz da Igualdade (Milk, EUA, 2008)
Dirigido pelo cultuado diretor Gus Van Sant e estrelado por um time composto por Sean Penn, Josh Brolin e Emile Hirsch, a cinebiografia conta a história de Harvey Milk, um ativista gay que se tornou o primeiro homossexual assumido a ser eleito a um cargo público na Califórnia. “Milk” lança luz sobre a situação política da comunidade gay em São Francisco e em todos os Estados Unidos da América da década de 1970. O longa levou dois Oscars em 2009 –– melhor ator para Sean Penn, que interpretou brilhantemente o personagem título; e melhor roteiro –– e foi indicado em outras seis categorias.
The Normal Heart (EUA, 2014)
Escrito por Larry Kramer e dirigido por Ryan Murphy para a TV, “The Normal Heart” conta a história de Ned Weeks (Mark Rufallo), um ativista gay que tenta arrecadar fundos para combater a AIDS/HIV durante o boom do vírus, no início da década de 1980, enfrentando todo o preconceito possível. O longa, que rendeu o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante para Matt Bomer, conta ainda com as atuações de Jonathan Groff, Jim Parsons e Julia Roberts.
C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (C.R.A.Z.Y., Canadá, 2005)
Dirigido por Jean-Marc Vallée, o drama familiar de incrível sensibilidade conta a história de crescimento de Zac Beaulieu (Marc-André Grondin), o quarto de cinco filhos, todos homens, que luta para definir sua identidade e aceitar sua latente sexualidade em um ambiente conservador. O filme, que recebeu 33 dos 37 prêmios a que concorreu, se destaca por sua direção habilidosa, atuações impecáveis e por sua trilha sonora que é puro amor, composta por músicas de David Bowie, Elvis Presley, The Rolling Stones, Pink Floyd e outros.
O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, EUA, 2005)
Clássico moderno dirigido por Ang Lee e estrelado por Jake Gyllenhaal e Heath Ledger, o longa vencedor de três Oscars (melhor direção, roteiro adaptado e trilha sonora), e diversos outros prêmios, é baseado no conto homônimo escrito por Annie Proulx e trata da história do amor proibido entre dois cowboys e sua relação durante anos. Além de todos os seus méritos técnicos, reforçados por diversos prêmios, “O Segredo de Brokeback Mountain” trata da força amor, mesmo em uma sociedade superconservadora como a do Texas, entre as décadas de 1960 e 1980.
Patrick 1.5 (Patrik 1,5, Suécia, 2008)
A comédia dirigida por Ella Lemhagen e estrelada Gustaf Skarsgård conta a história de um casal que, por um erro de digitação, pensa adotar um bebê de um ano e meio, mas na verdade se trata de um adolescente homofóbico de 15 anos com um passado criminoso. De maneira leve e divertida, o longa trata de assuntos delicados como a adoção por casais homoafetivos e a homofobia. Patrik 1.5 venceu o prêmio de melhor filme no 33º San Francisco International LGBT Film Festival, em 2009, e certamente vale seu tempo.
De repente, Califórnia(Shelter, EUA, 2007)
Se vivêssemos em um mundo ideal, “De repente, Califórnia”, dirigido por Jonah Markowitz e estrelado por Trevor Wright e Brad Rowe, estaria sendo exibido na programação vespertina da TV aberta. A razão é simples: é um filme sensível e despretensioso sobre a descoberta e aceitação da sexualidade de um jovem surfista, assim como o conflito em descobrir sua própria família, no fim, nada tradicional, mas nem por isso menos feliz e amorosa. Mas, já que a família tradicional brasileira e suas emissoras não permitiriam essa exibição tão cedo, procure pelo filme e se delicie com a bela história e a deliciosa trilha sonora a base de surf music de melhor qualidade (te amo, Shane Mack).
Meninos Não Choram (Boys Don’t Cry, EUA, 1999)
Outro filme que já pode ser considerado um clássico, o emocionante “Meninos Não Choram” é baseado na história real de Brandon Teena, um jovem garoto que nasce em um corpo biologicamente feminino, mas se identifica com o gênero masculino. O filme trata de sua trajetória como homem transexual e os embates enfrentados por ele. O longa, dirigido por Kimberly Peirce e aclamado pela crítica, rendeu o Oscar de melhor atriz para Hilary Swank, que interpretou Brandon com maestria.
Azul é a Cor Mais Quente (La vie d’Adèle, França, 2013)
O longa que venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2013 é dirigido por Abdellatif Kechiche e baseado no romance gráfico “Le Bleu est une couleur chaude”, de Julie Maroh. Estrelado por Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos, o longa conta a história de uma garota (Exarchopoulos) que se descobre apaixonada por uma mulher de cabelos azuis (Seydoux), enfrentando dificuldades e preconceitos de sua família e da sociedade. Mais que uma história de relacionamento e sexo entre duas mulheres, trata de amadurecimento.
Canções de Amor (Les chansons d’amour, França, 2008)
O amor merece ser cantado e é isso que o longa, escrito e dirigido por Christophe Honoré e estrelado por Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Clotilde Hesme e Grégorie Leprince-Ringuet, faz. O musical, com composições belíssimas de Alex Beaupain –– com destaque para “Ma mémoire sale”, a favorita deste que vos escreve –– celebra diversas formas de amor de maneira natural, acompanhando o jornalista Ismäel (Garrel) e seu romance a três com Julie e Alice. A maneira como o musical explora a pluralidade da sexualidade humana é o que o faz entrar nesta lista.
Orações para Bobby (Prayers for Bobby, EUA, 2009)
Produzido para a TV, o longa dirigido por Russell Mulcahy e estrelado por Sigourney Weaver e Ryan Kelley trata da vida do jovem Bobby (Kelley) e a relação com sua mãe (e família) conservadora da Igreja Presbiteriana, durante o processo de aceitação de sua sexualidade. A ótima atuação de Weaver como Mary rendeu a ela indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro. “Orações para Bobby” é um filme emocionante que trata de amor e aceitação, um processo bastante complicado e até doloroso, em um ambiente religioso e conservador. Dica: assista, e se emocione, em família. No Brasil, o filme também pode ser conhecido como “Rezando por Bobby”.
Eu Matei Minha Mãe (J’ai tué ma mère, Canadá, 2009)
Segundo filme de Xavier Dolan nesta lista, mas o primeiro a ser dirigido pelo canadense considerado um prodígio, “Eu Matei Minha Mãe” é um romance semi-autobiográfico com atuações de Dolan, Anne Dorval, François Arnaud e Suzanne Clément. O filme conta a história do jovem gay Hubert (Dolan) e a relação conturbada que tem com sua mãe, com quem busca reconciliação. O longa levou 27 prêmios em festivais ao redor do mundo, sendo três deles no Festival de Cannes de 2009 e definitivamente merece atenção.
Má Educação (La mala educación, Espanha, 2004)
Do mestre espanhol Pedro Almodóvar e com Gael García Bernal e Fele Martínez no elenco, o drama conta a história de dois meninos que conhecem o amor na década de 1960 e seus posteriores encontros nos anos 70 e 80, que interferem em suas vidas, com muitas surpresas, claro. Bastante aclamado pela crítica especializada, “Má Educação” recebeu 86% de aprovação da audiência no Rotten Tomatoes, que publicou um consenso: “Um drama em camadas, maravilhosamente atuado e apaixonado”.
Pecado da Carne (Einayim Petukhoth, Israel, 2009)
Escrito por Merav Doster e dirigido por Haim Tabakman o longa, como definido no The New York Times, “move-se lentamente e pacientemente com o calvário de uma única alma, iluminando no processo de um cosmos de sentimento intenso e oculto”. Com Zohar Strauss e Ran Danker nos papéis principais, o filme conta a história da relação entre um homem casado e pai de quatro filhos e seu jovem aprendiz em um bairro ultraortodoxo de Jerusalém. Mais um filme que lança o olhar para a homossexualidade e o sentimento em combate com o conservadorismo. “Pecado da Carne” fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes em 2009.
Direito de Amar (A Single Man, EUA, 2009)
O longa que marca a estreia do estilista Tom Ford na direção é baseado no livro “Um Homem Só”, de Christopher Isherwood, e mostra um dia da vida de um professor de inglês na Los Angeles dos anos 1960, pouco depois de perder o seu companheiro e amor de sua vida em um acidente. Com Nicholas Hoult, Julianne Moore e Colin Firth –– indicado ao Oscar por seu papel –– no elenco, o longa também chama a atenção pelo figurino impecável, além da sensibilidade e melancolia ao tratar da perda de um grande amor.
Weekend (Reino Unido, 2011)
Conciso e cru, “Weekend”, dirigido por Andrew Haigh e estrelado por Tom Cullen e Chris New, conta a história de Russel (Cullen), que, ao fim de uma noite, encontra Glen (New) em uma boate e, o que era pra ser um encontro de uma única noite, se torna algo especial. Baseado especialmente em diálogos entre os personagens principais, o filme encanta pela crueza com a qual trata do desenvolvimento de uma relação onde e quando menos se espera. É uma história de fácil identificação –– se ainda não aconteceu com você, aguarde, que vai rolar.
El sexo de Los Angeles (Espanha, 2012)
Dirigido por Xavier Villaverde, o longa conta a história de Carla (Astrid Bergès-Frisbey) e Bruno (Llorenç González), um jovem casal que é levado a questionar o que é amor, infidelidade e sexo com a chegada de Rai (Álvaro Cervantes). Sem muitas inibições, na verdade, de maneira bastante natural, o filme trata de um relacionamento a três e a liberdade de se apaixonar por quem quer que desperte o sentimento em você e viver guiado por suas emoções. Ah, this crazy little thing called love…
Triângulo Amoroso (Drei, Alemanha, 2010)
Escrito e dirigido por Tom Tykwer, o longa, que foi indicado ao Leão de Ouro no 67º Festival Internacional de Cinema de Veneza, tem atuações de Sophie Rois, Sebastian Schipper e Devid Striesow. O filme trata do casal Hanna (Ross) e Simon (Schipper), ambos com cerca de 40 anos, e a mudança em suas vidas com a paixão de ambos por Adam (Striesow). Mais um filme que, com delicadeza, trata da descoberta de novas maneiras de amor, mesmo que já na maturidade.
Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, EUA, 2010)
Vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2011, “Minhas Mães e Meu Pai”, dirigido por Lisa Cholodenko e estrelado por Annette Bening, Julianne Moore e Mark Ruffalo, trata dos irmãos adolescentes Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), filhos de um casal de lésbicas –– Jules (Moore) e Nic (Bening) –– e concebidos através da inseminação artificial de um doador anônimo (Rufallo), que muda a rotina da família ao passar a fazer parte de seu cotidiano. Uma delícia de comédia dramática focada em uma família tão diferente e, ao mesmo tempo, tão igual a todas as outras.
Além da Fronteira (Out in the Dark, Israel/EUA, 2012)
Dirigido por Michael Mayer, o longa conta a história da relação entre Nimer (Nicholas Jacob), um estudante palestino, e Roy (Michael Aloni), um advogado israelense, na qual Nimer tem que lidar com sua família conservadora e com sua condição de palestino morando em Israel. Aqui é lançada uma luz sobre como é ser gay em uma cultura tão conservadora além de outros assuntos delicados, como o conflito árabe-israelense, o terrorismo, a homofobia e etc. Um filme que consegue tratar de tantos assuntos de maneira satisfatória definitivamente merece créditos.
Cuatro Lunas (México, 2014)
Dirigido por Sergio Tovar Velarde, o longa conta quatro histórias sobre o amor em diferentes fases da vida: um menino secretamente apaixonado por seu primo; dois jovens estudantes que começam uma relação; dois homens que tentam manter seu relacionamento mesmo com a chegada de uma terceira parte; e um senhor que se encanta por um garoto de programa. O filme mexicano, que quase representou o país no Oscar, retrata de forma delicada e encantadora os desafios que o amor nos impõe e as formas com as quais ele nos agracia em diferentes fases da vida.
Menções Honrosas
Dois filmes que não podiam ficar de fora desta lista são “Tomboy” e “Querelle”. De 2012, o filme francês da diretora Céline Sciamma, “Tomboy”, conta a história de Laure (Zoé Héran), uma menina de dez anos, que muda de casa constantemente, em decorrência do trabalho do pai. Ao se mudar novamente, ela faz amizade com uma grande turma de garotos da vizinhança, mas se apresenta como Mikael e acaba se aproximando de Lisa (Jeanne Disson), a única menina do grupo. Já “Querelle”, de 1982, conta a história de um marinheiro francês, Querelle (Brad Davis), que desembarca em Brest. Marginal e movido pelo desejo, torna-se frequentador assíduo do bordel da cafetina Lysiane (Jeanne Moreau). O filme é dirigido por Rainer Werner Fassbinder, um dos mais importantes nomes do “Novo Cinema Alemão”, e baseado na novela “Querelle de Brest”, de Jean Genet, escrita em 1947.
Cinéfilo de filmografia com a temática gay e demais temáticas, Brunno Falcão é jornalista, graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG).




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