domingo, 3 de maio de 2015

Pastor gay quer acolher público LGBT em nova igreja evangélica

Gregory Rodrigues não hesita ao afirmar que não há “base bíblica para se condenar a homossexualidade”. O pastor evangélico tem apenas 23 anos, mas, apesar da pouca idade, traz em sua trajetória uma estreita relação com a religiosidade e com a causa LGBT. O religioso, que protagonizou o primeiro casamento homoafetivo oficializado na Justiça da capital – e também o primeiro divórcio –, agora se prepara para abrir a terceira igreja inclusiva da cidade. Com o objetivo de “acolher todos aqueles que foram rejeitados”, a Igreja Inclusiva Fonte de Água Viva fará seu primeiro culto no próximo dia 17, em um salão do Royal Center Hotel, no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul.

“Ainda nos dias de hoje há uma rejeição (à homossexualidade). A igreja inclusiva surgiu para tentar trazer essa familiarização do evangelho, para abrir os olhos para a questão homoafetiva. A igreja tem esse papel, não de ser uma igreja exclusiva para gays, mas de ser para todos e todas”, afirma.

Embora fale do tema com naturalidade, sair do armário não foi uma questão simples para Rodrigues. Sua orientação sexual foi descoberta pela família quando tinha 15 anos e namorava escondido o filho do pastor da igreja que frequentava. Apesar das muitas brigas terem levado o então adolescente a conhecer as propostas da igreja inclusiva, a relação com o pai, militar e religioso, nunca mais foi a mesma.

Cerca de seis anos depois e já formado no seminário de uma igreja batista, ele hoje argumenta que os textos sagrados são registros históricos, feitos para povos e épocas específicas, que acabam mal interpretados por religiosos contemporâneos.

“A teologia tem se modificado. As pessoas têm aberto mais o pensamento e visto que aquilo é um conceito histórico. Toda essa pregação (diz que) Deus não aceita a homossexualidade. Onde está escrito que Deus não aceita a homossexualidade?”, defende. “Pastores se acham muito donos da verdade em poder falar ‘os gays não são salvos’, ‘os heteros são salvos’. Se nós somos salvos por misericórdia de Deus, não é o pastor que vai me falar se eu estou ou não em pecado”.

Preceitos. Na prática, não deverá haver grande diferença entre a Fonte de Água Viva e igrejas evangélicas tradicionais. O pastor promete receber qualquer pessoa sem nenhum tipo de discriminação a orientação sexual e até mesmo a crenças em outras religiões. Rodrigues, inclusive, fará questão de abordar temas polêmicos para a igreja e para a sociedade.

Ele incentiva o casamento e defende a monogamia, esclarece que sexo antes do casamento não é pecado, afirma que o uso da camisinha é uma questão de saúde pública, mas se posiciona de forma contrária ao aborto. O pastor ainda destaca a fidelidade e o respeito entre os casais, tanto heteros como homoafetivos.

“Não recomendamos que as pessoas vivam em saunas, boates, baladas. Quer ir? Ok. Não existe proibição bíblica para isso, mas a igreja não recomenda que isso aconteça. Deus não faz assepsia dos homens, desde que você viva um relacionamento de respeito, de fidelidade”, diz Rodrigues, ressaltando que pretende fazer casamentos em sua nova igreja.

Fonte: O Tempo

2 comentários:

  1. Poderia tanto ter uma em Goiânia, necessitamos muito. Sinto um desconforto enorme em ir a igreja, por isso não vou, porém, tenho vontade.

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  2. Precisamos de sedes em Goiânia. Urgente!

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