domingo, 8 de fevereiro de 2015

Após incêndio em CTG, cidade do RS terá casamento coletivo em fronteira

Santana do Livramento terá união de 30 casais heterossexuais ou gays.
Galpão foi incendiado em meio a polêmica sobre casamento gay em CTG.

Casal de mulheres que iria casar em CTG oficializa a união em Fórum (Foto: Estêvão Pires/G1)

Cinco meses depois de um incêndio em um Centro de Tradições Gaúchas (CTG) alterar o local de um casamento coletivo com a participação de um casal de mulheres em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, a juíza Carine Labres, mentora da iniciativa, planeja uma celebração semelhante. Nesta segunda-feira (9), vão abrir as inscrições para 30 casais interessados em selar a união em um evento inicialmente marcado para o dia 18 de abril na Praça Internacional, um espaço a céu aberto na fronteira com Rivera, no Uruguai.


"É interessante esse parque, pois ele tem diversos símbolos, e o local escolhido é a fonte luminosa, porque é um símbolo de igualdade. O casamento poderá ter casais hetero e homoafetivos, então esse local vem bem a calhar", destaca a juíza.

Em setembro do ano passado, 28 casais celebraram a união em um casamento coletivo conduzido por Carine no Fórum de Santana do Livramento. Entre eles, estavam Solange Rodrigues e Sabriny Benites. O evento inicialmente seria realizado em um galpão de CTG, o que causou um descontentamento em parte dos tradicionalistas da região devido à presença de um casal homossexual. Dois dias antes da cerimônia, o local foi incendiado. A Polícia Civil apurou que se tratou de um crime, mas não apontou suspeitos.


"Eu quis fazer no CTG porque o casamento era em setembro, e eu quis homenagear a cultura local [a Revolução Farroupilha é celebrada em 20 de setembro]. O pessoal que fez toda aquela mobilização contra, apesar de barulhento, era um grupo minoritário. Aqui temos apoio de vários setores da sociedade. Temos apoio de empresários a ponto de isentar os custos da cerimônia e dar alianças e um 'dia da noiva' para todos os casais", contou a juíza.

Como o evento não será realizado em um reduto de tradicionalistas, Carine não espera a rejeição que enfrentou no ano passado. Ela acredita que o único empecilho para a celebração pode ser o mau tempo. A data definitiva será marcada quando for possível observar a previsão meteorológica.

"Acredito que seja tranquilo, até porque o Uruguai foi o segundo país na América Latina a legalizar a união homoafetiva. O Brasil está atrasado quanto a esse avanço. Para o Uruguai isso é muito tranquilo. E na questão aqui do Brasil temos a resolução do Conselho Nacional de Justiça que garante esse direito", disse a magistrada.

Carine quer organizar dois casamentos coletivos nestes moldes por ano. No segundo semestre, ela quer inovar ainda mais. "Será dentro de um assentamento rural. Fazemos o projeto Ronda da Cidadania dentro desses locais e vamos escolher com calma em qual será", afirma. Seja em CTG, na fronteira com o Uruguai ou até mesmo em um assentamento, só o preconceito não tem lugar.

Fonte: G1

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