domingo, 14 de setembro de 2014

Casais querem diminuir o preconceito com primeiro casamento gay coletivo


Manaus - Há três anos namorando, o industriário Gênesis da Silva Crisóstomo Araújo e o bancário Fellipe da Cunha Araújo Crisóstomo realizarão o sonho do casamento homoafetivo. Nesta terça-feira, eles serão um dos 14 casais (sendo um heterossexual) que participarão de um casamento gay coletivo. 

Reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2011, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e as uniões homoafetivas passaram a ser consideradas uma nova forma de família. 

Promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM), através da Comissão de Diversidade Sexual, o casamento coletivo homoafetivo é o primeiro da Região Norte e o quarto do Brasil. A cerimônia acontece às 9h, na sede da OAB, na Avenida Umberto Calderaro Filho, 2000, Adrianópolis, zona centro-sul. Os casais receberão alianças de prata com detalhes em caroço de tucumã. São 400 convidados e a certidão de casamento será entregue na própria cerimônia.

Para o casal, mais do que a oficialização, o casamento “é a afirmação do amor” e a garantia de segurança e respeito. “Estamos em um mundo dinâmico e diversificado. Queremos mostrar que um casal homoafetivo tem, além dos mesmos direitos, a mesma dignidade, respeito e deveres que qualquer casal heterossexual”, disse Fellipe. 

Para Fellipe, a liberação do casamento gay é a realização do sonho de casais que estão juntos por união informal. “O desejo de nos casarmos surgiu há um ano. Depois de um tempo de convivência, percebemos o quanto era importante para nós, como um casal, e para a sociedade, no âmbito de mudanças e nova realidade que se vive hoje, darmos esse novo passo nas nossas vidas”.

Outro casal que terá o sonho de se casar realizado é a advogada Neila de Lourdes Dantas Tabosa, de 50 anos, e a técnica de enfermagem Mara Sílvia Ayden de Matos, de 38. 

Para Neila, o casamento é um passo importante para uma sociedade igualitária. “Estamos no caminho, sem dúvida, para tornar o direito de se casar um direito inerente a todo ser humano, independente de cor, raça, sexo ou qualquer outra distinção. Estamos orgulhosas de participar desse processo que reafirma o respeito e a dignidade humana em nosso País. Temos certeza que esse evento irá contribuir para que muitas pessoas possam sair da clandestinidade e se assumirem perante a sociedade”, declarou. 

Além disso, Neila considera o casamento civil uma conquista e reconhecimento dos homoafetivos. “Este reconhecimento responde ao grupo de pessoas que durante longo tempo foi humilhado, cujo direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e a liberdade foi oprimida. Os homoafetivos apenas pleitearam uma equiparação que fosse reconhecida à luz da comunhão, que tem acima de tudo porque querem construir um projeto de vida, e não só isso, um projeto de felicidade”. 

Fim do preconceito

Segundo a presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/AM, Alexandra Zangerolame, o órgão teve a iniciativa de promover o primeiro casamento homoafetivo, além de seguir a lei, mudar a imagem do preconceito. “A iniciativa é para que se cumpra o que determina a lei, e é direito constitucional de todo cidadão o casamento civil. Além do mais, tirar a imagem impregnada do casamento homoafetivo no preconceito. É igual um casamento hetero, qualquer pessoa que queira se casar hoje, hetero ou homoafetivo, pode casar”, explicou.

A ideia do casamento coletivo na OAB/AM surgiu após uma grande procura de casais ao órgão, em relação a questões de Direito de Família e às dificuldades que relatam enfrentar em casos de partilha de bens. Além da OAB, órgãos governamentais e do Fórum Amazonense Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) apoiam o casamento. 

De acordo com o presidente da OAB/AM, Alberto Simonetti Neto, a iniciativa visa tão somente assegurar o que é justo para qualquer pessoa, independente da orientação sexual. “A proposta é legitimar a união dos casais homoafetivos, que têm os mesmos direitos dos heterossexuais, perante a legislação”, disse.

Para os casais, o preconceito em Manaus ainda é visível, mas que a liberação do casamento gay é uma das formas de lutar pela homofobia. “Influencia para acabar com um estereótipo criado por parte da sociedade, principalmente dos gays que viviam a sua margem. Saímos do escuro e agora podemos mostrar que nos respeitamos, trabalhamos, amamos, sabemos ser pais e mães”, disse Fellipe.

Fonte: D24AM

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