sábado, 5 de julho de 2014

Condenados os skinheads que tentaram matar 4 pessoas em ato contra homofobia


Com penas que variam entre 16 e 21 anos de prisão, três réus foram presos logo após a sentença no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo

Terminou na noite da última quinta-feira (03),  no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, o julgamento de três pessoas, apontadas como skinheads, por tentativa de homicídio de quatro manifestantes que participavam de um evento em repúdio à homofobia e ao racismo, no centro da cidade, em 26 de fevereiro de 2011. Todos foram condenados, com penas que variam entre 16 e 21 anos, em júri popular, numa decisão que ainda cabe recurso.  

O ataque ocorreu durante as Jornadas Antifascistas, organizadas desde 2000 pelo Movimento Anarcopunk, em homenagem ao adestrador de cães Edson Neris da Silva, homossexual que foi espancado até a morte na Praça da República.

O promotor Fernando César Bolque destacou que a acusação se focou nas provas existentes no processo, a exemplo do que narraram as testemunhas, as vítimas e, sobretudo, o que pode ser observado nas imagens feitas pela câmera de um terminal de ônibus próximo ao local onde foi registrada a agressão.

“As imagens são bastante claras e não tem como os acusados negarem que estavam em posse desses objetos que trazem menção a símbolos nazistas”, argumentou Bolque. O processo aponta, entre os itens apreendidos, espingarda, facão, canivetes e soco inglês.

Os acusados são Jorge Gabriel Gonzales, 23, Milton Gonçalves do Nascimento Júnior, 23, e Rogério Moreira, 26. Eles foram presos no local. Um adolescente de 17 anos também foi apreendido  na época e cumpriu medida socioeducativa na Fundação Casa. Um quarto réu morreu antes de ser julgado.  

Além dos réus e das quatro vítimas, foram ouvidas testemunhas.  O juiz Fernando Oliveira Camargo presidiu o juri, que foi composto por seis homens e uma mulher. Os condenados, que aguardavam o julgamento em liberdade, saíram do tribunal já presos.

De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, Jorge teve condenação de 16 anos e sete meses de prisão  por duas tentativas de homicídio e lesão corporal leve. Milton pegou 18 anos e sete meses por duas tentativas de homicídio, por duas lesões corporais (grave e leve). Já Rogério recebeu pena de 21 anos e cinco meses por duas tentativas de homicídio e duas lesões corporais (grave e leve).

De acordo com a organização não governamental Casarão Brasil, que atua em defesa dos direitos da população LGBT e acompanha o caso, uma das vítimas foi atacada a quase 500 metros do local do evento. Segundo a entidade, eles atacavam as vítimas dizendo “menos um macaco”. Eles destacam que um rapaz foi ferido de forma profunda no braço, outro foi esfaqueado no abdômen e um terceiro foi esfaqueado na cabeça. “Eles gritavam: vamos arrancar a perna dele [em referência à prótese usada pela vítima] então fui atingido com um taco na cabeça e desmaiei”, disse uma das vítimas em uma nota da organização.

Na entrada do fórum, representantes do movimento Anarcopunk colocaram faixas pedindo respeito à diversidade. “Existem ações que são crimes de ódio que são passadas como crimes de gangues ou rixas de rua, mas que, na verdade, são grupos organizados. Eles treinam artes marciais para isso, usam armas brancas para esse tipo de ação para machucar e até matar pessoas nas ruas e pessoas específicas: mulheres, homossexuais, travestis, pessoas em situação de rua, além de punks, anarquistas”, declarou um jovem, que não quis se identificar. O grupo Anarcopunk está à frente das jornadas anti-facistas.

O promotor explicou que não foi incluída na denúncia o crime referente à discriminação racial. Ele destaca, no entanto, que há o registro de uma motivação fútil decorrente dessa situação, tendo em vista que eles estavam em uma reunião de um movimento contra o fascismo e por força disso acabaram se tornando vítimas. “É óbvio que há essa motivação, acredito que o júri se sinta mais sensibilizado por conta disso, dessa intolerância racial. O Brasil é um país multicultural, miscigenado e, acredito, não admite esse tipo de comportamento”, declarou.

*Com informações da Agência Brasil 

Fonte: IGay

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