quarta-feira, 25 de junho de 2014

Skinheads vão a Júri Popular em São Paulo a partir do dia 1º de julho

Nos próximos dias 1, 2, 3 e 4 de julho 2014, será realizado o julgamento dos quatro skinheads que atacaram pessoas em um evento em repúdio à homofobia e ao racismo, no centro de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2011. O julgamento acontecerá no Fórum Criminal Min. Mário Guimarães (Av. Dr. Abraão Ribeiro, 313, São Paulo/SP).

O ataque ocorreu durante as Jornadas Anti-Fascistas, organizadas desde 2000 pelo Movimento Anarcopunk de São Paulo, em homenagem ao adestrador de cães Edson Neris da Silva, homossexual que foi espancado até a morte em 6 de fevereiro de 2000, na praça da República.

“Eles nos vigiavam desde o início das atividades na Praça da República, onde um deles fez uma saudação nazista e ameaças em público no local. Depois nos deslocamos para a segunda parte da atividade no Espaço Cultural, na Rua das Carmelitas”, contou uma testemunha.

A primeira vítima, é deficiente e não tem uma das pernas; ele foi atacada a quase 500 metros antes do local do evento, na rua Anita Garibaldi, em frente ao Corpo de Bombeiros.

“Eles gritavam: vamos arrancar a perna dele – referindo a prótese que a vítima usa para andar – então fui atingido com um taco na cabeça e desmaiei, acordei quando estava sendo atendido pelos bombeiros”.

Após a primeira agressão, os skinheads seguiram para o evento.

“Eles agrediram um rapaz na frente do Corpo de Bombeiros. ” “Estão vindo os skinheads! ” (As pessoas na rua começaram a gritar.)

“E era clara a intenção de matar. Não só pelas armas que carregavam, mas também como golpeavam e contando as vítimas e diziam ‘menos um macaco’.” 

Um rapaz foi ferido de forma muito profunda no braço, outro foi esfaqueado no abdômen e, a quarta vítima, esfaqueada na cabeça. A faca atravessou o crânio e atingiu o cérebro.



Os skinheads foram presos com uma espingarda de chumbinho, munição, dois facões, uma faca, três canivetes, um soco inglês e uma machadinha.




Uma das armas tinha um símbolo nazista e a inscrição “Impacto Hooligan”, um grupo neonazista envolvido em outros crimes e já conhecido pela polícia paulista por perseguirem negros, gays, imigrantes e nordestinos.




Jorge Gabriel Gonzales, Milton Gonçalves do Nascimento Júnior, na época com 20 anos, Raphael Luiz Dierings, de 18 e Rogério Moreira, de 23 foram presos em flagrante. Um adolescente, 17, foi encaminhado à Fundação Casa após confessar participação, e liberado depois de cumprir medidas sócio educativa.



(*alguns dos presos)

Um sexto acusado conseguiu a suspensão do processo. Ele tem envolvimento no atentado a bomba que feriu 21 pessoas após a Parada Gay de 2009. Todos os acusados, mesmos presos em flagrante por tentativa de homicídio, aguardam o julgamento em liberdade.

“É triste ver a forma subjetiva com que o judiciário brasileiro trata protagonistas de crimes hediondos como esse. Seria verdadeiramente entre outras coisas crime de nazismo, um crime contra a humanidade.

Segundo as leis internacionais, das quais o Brasil é signatário (Estatuto de Roma), crime de homicídio praticado com foco a perseguir um grupo específico de pessoas sistematicamente (por cor, raça, etnia, religião, orientação sexual ou condição social) já é previsto em lei brasileira, como por exemplo as leis nº 7.716 e 2.889.

E é exatamente o que esse grupo de skinheads pratica, é claramente a prática de genocídio”, enfatiza ima das vítimas.

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