terça-feira, 18 de março de 2014

Polícia Civil apura caso de homofobia em agressão contra aluno da Unesp de Jaboticabal

A Polícia Civil apura um caso suspeito de homofobia contra um aluno da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal (SP) agredido na madrugada do último sábado (15). De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima voltava de uma festa com um grupo de amigos quando foi abordada, xingada e espancada com socos e pontapés por estudantes fora do campus. A diretoria da universidade informou que vai apurar o caso.

O estudante do primeiro ano, que não quis ser identificado, conta que conversava com amigos na rua quando um grupo de estudantes em uma caminhonete  – veteranos na universidade- percebeu que ele era calouro e se aproximou. “Estávamos parados na esquina conversando quando eles apareceram de carro ofendendo e xingando. Nós estávamos em seis pessoas e eles entre cinco e sete pessoas. Tudo começou com um trote. Descobriram que eu era homossexual e começaram a me humilhar”, afirma.

O jovem diz que revidou os xingamentos e confirmou que era homossexual. Um dos estudantes, então, saiu da caminhonete e começou a dar socos e pontapés nele. Um amigo da vítima tentou impedir a briga, mas também foi agredido. “Temos certeza que a agressão foi por intolerância e homofobia. Eu fui o único alvo da agressão. Espero que eles sejam punidos da forma justa, que a faculdade tome um posicionamento firme em relação a isso, porque isso não pode acontecer de novo”, diz.

O amigo da vítima, que também não quis ser identificado, diz ter certeza de que a agressão ocorreu por homofobia. “A intenção era machucar meu amigo. Eu tentei intervir, mas levei uma cotovelada na cara e ninguém mais me agrediu. Só apanhei porque fui defender meu amigo. Focaram a agressão nele”, afirma.

Polícia

De acordo com o delegado Oswaldo José da Silva, a ocorrência foi registrada como lesão corporal dolosa – quando há intenção de machucar. A suspeita de homofobia deve ser apurada no decorrer das investigações. “Vamos notificar a vítima a comparecer à delegacia, prestar declarações, ver se ela tem interesse em apurar a responsabilidade criminal da pessoa que a agrediu e apurar as circunstâncias em que o fato ocorreu e suas consequências”, diz.

Apuração interna

A diretora do campus da Unesp de Jaboticabal, Maria Cristina Thomaz, disse que nomeará um docente para fazer uma avaliação preliminar sobre o caso. “Como houve uma denúncia formal, o professor vai ouvir as partes, fazer um relatório com as informações e o que ele percebeu da situação. Desse relatório final, se forem constatados fatos graves, poderemos formar uma comissão sindicante”, explica.

Segundo a diretora, o procedimento pode gerar desde uma advertência formal aos envolvidos até a suspensão ou expulsão dos estudantes da universidade.

Do G1 Ribeirão e Franca

Nenhum comentário:

Postar um comentário