sábado, 29 de março de 2014

Ipea: Maioria dos brasileiros diz tolerar igualdade mas não aceita troca de afeto em público ou casamento gay

Segundo tópicos que abordam a aceitação da homossexualidade da pesquisa “Sistema de Indicadores de Percepção Social sobre Tolerância social à violência contra as mulheres”, publicada nesta quinta-feira, pelo site do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o brasileiro está mais tolerante, mas não muito. Segundo a pesquisa realizada em 2013 em todas as regiões do país e que ouviu mais de 3.810 pessoas, mais da metade dos brasileiros acreditam que casais do mesmo sexo devam ter os mesmos direitos dos demais casais, mas 52% pensam que o “casamento gay” deveria ser proibido. E ainda, 59% disseram que se sentem incomodados ao verem homossexuais se beijando em público.

A pesquisa teve quatro perguntas sobre homofobia e direitos gays que deveriam ser respondidas com concordância ou não a uma afirmação feita pelo pesquisador. A concordância poderia ser total ou parcial ou ainda o participante poderia responder ser neutro à questão. Apenas 41% dos entrevistados concordaram que “um casal de dois homens vive um amor tão bonito quanto entre um homem e uma mulher”.

A pesquisa ainda apontou que os pesquisados evangélicos são os mais intolerantes e machistas da pesquisa, que ainda encontrou afirmações grotescas como “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas e “Se mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros” com aval da maioria da população.

Segundo os pesquisadores, a margem de erro é de 5%, e as respostas apontam para um modelo patriarcal de família, com supremacia masculina. “O modelo é androcêntrico e heteronormativo: coloca o homem e o masculino como referência em todos os espaços sociais. O universal, o neutro é masculino; e o homem que deve deter o poder – de decisão, de mando, de recursos e sobre o corpo e a mente da mulher. A união entre pessoas do mesmo sexo aparece, portanto, como uma subversão em que 8 homens ocupam lugares de mulheres. A adesão estrita ao modelo dá azo à homofobia, e assim, a rejeição à homossexualidade é esperada”, diz a interpretação dos dados.

A pesquisa aponta que de modo genérico a população é tolerante mas quando se restringe a pergunta quanto a direitos homossexuais, os entrevistados não são muito a favor dos homossexuais. “As quatro afirmações sobre a homossexualidade compartilham como determinante algumas características que produzem variações na tendência a concordar. O fator geracional é um dos que se sobressaiu. Nos modelos para as quatro existe uma diferença marcante dos jovens (16 a 29 anos) e dos idosos (60 anos ou mais) em relação aos adultos (30 a 59 anos). Jovens apresentam tolerância maior à homossexualidade, e os idosos mostram-se mais intolerantes”, revela a pesquisa.

“A religião também foi significativa em todos os modelos, no entanto, os católicos só se mostraram intolerantes além da média no que toca à ideia de proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os evangélicos se sobressaem como grupo mais intolerante à  homossexualidade. A chance de tenderem a concordar total ou parcialmente com a proibição do casamento é 3,5 vezes maior do que a de não católicos ou evangélicos, enquanto a dos católicos é 1,4 vez maior. A chance de serem neutros ou discordarem da possibilidade de o amor entre homossexuais ser belo é 2,2 vezes maior que a dos não evangélicos, inclusive católicos. E a chance de se sentirem incomodados com o beijo homossexual é 2,1 vezes maior”, afirmam os pesquisadores.

Confira abaixo o resultado das quatro questões:


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