quarta-feira, 12 de março de 2014

Comitê que vai subsidiar políticas públicas de saúde para população LGBT toma posse em São Paulo

11/03/2014 - 17h10

Um passo que, espera-se, seja muito importante para as políticas públicas de saúde integral à população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) foi dado na manhã desta terça-feira com a criação de um comitê que reúne representantes do governo e da sociedade civil. A cerimônia de posse dos integrantes aconteceu num auditório da Secretaria de Estado da Saúde com a presença do titular da pasta, David Uip, e da secretária de Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo, Eloisa Arruda. A dupla de secretários compôs a mesa ao lado da psicóloga Eliana Ribas, coordenadora da área de Humanização da Secretaria da Saúde,  e de Márcia Giovantetti, da gerência de Prevenção do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT-SP).

Márcia vai coordenar o Comitê Técnico Estadual de Saúde Integral da População LGBT nos próximos dois anos. Depois disso, os membros poderão ser trocados. Logo após a cerimônia de posse, o grupo fez a primeira reunião de encaminhamento dos trabalhos para subsidiar a Secretaria da Saúde em diversos programas. 

“Esse momento é de grande importância pessoal para mim”, disse David Uip. “Na área da saúde, temos de não apenas ultrapassar os preconceitos, o que já é muito difícil, como gerar políticas que acabem com ele.”

David reforçou a importância do comitê na melhoria da saúde pública ao dizer que espera que ele sirva de exemplo para outras políticas. “Para nós (do Estado), esse comitê é tão importante que colocamos nele as melhores lideranças em saúde e os setores mais representativos da sociedade civil.”

Segundo a secretária da Justiça, Eloisa Arruda, sua pasta tem realizado ações de sucesso, como os cursos à distância para capacitar policiais a lidar com as questões LGBT, em parceira com a Secretária da Saúde. Ela agradeceu e parabenizou David Uip por seu trabalho no enfrentamento à discriminação homofóbica. 

“A criação desse comitê é um marco na história da Secretaria porque vamos discutir e encaminhar políticas públicas de atenção integral à população LGBT, não só de HIV/aids. Vamos tratar de questões desde o acolhimento, que tem de ser feito de forma adequada”, disse Maria Clara Gianna, coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids-SP.

“O comitê vai ser importante a partir do momento que fizer políticas efetivas para a saúde da população LGBT”, ponderou Cláudio Pereira, presidente do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e representante do movimento social no grupo. “Os serviços precisam ser humanizados para atender sem viés ideológico ou religioso e sem preconceito.”

Bruno Campos, coordenador geral do Fórum Paulista da Juventude LGBT, concorda com Cláudio. “Os jovens da população LGBT precisam ter mais acesso à saúde”, comentou. 

Deborah Malheiros, assessora técnica da Coordenação de Políticas Para a Diversidade Sexual, da Secretaria da Justiça, lembrou que a população LGBT encontra dificuldades de todas as naturezas nos serviços médicos. “Se uma mulher revela ao ginecologista que é lésbica, ele já encerra a consulta, porque entende que só quem tem relações heterossexuais precisam dos cuidados dele”, disse ela.

“O médico não está preocupado com o ser humano que ele atende, mas com o papel que desempenha atrás da mesa do consultório” disse Brunna Valin, do Fórum Paulista de Travestis e Transexuais e orientadora sócio-educativa no Centro de Referênmcia da Diversidade (CRD). “É sempre complicado quando a paciente se identifica como LGBT e esse comitê vai acompanhar as ações das políticas públicas a parti daí, da porta de entrada.”

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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