domingo, 16 de fevereiro de 2014

Cuiabá é a capital mais homofóbica do Brasil, diz estudo

A Capital de Mato Grosso é a cidade mais “perigosa” e homofóbica para homossexuais e travestis do Brasil. 

O dado consta no Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais no Brasil, relativo ao ano de 2013 e feito pela Organização Não Governamental (ONG) Grupo Gay da Bahia (GGB). 

Segundo o estudo, foram 310 mortes no país no ano passado e ainda uma transexual brasileira morta no Reino Unido e um gay morto na Espanha.

De acordo com o Grupo, o número significa um assassinato a cada 28 horas.

O total de mortes é menor que o de 2012, quando 388 gays, lésbicas ou travestis morreram, mas ainda assim relevante, segundo o Grupo. 

“Um pequeno decréscimo (-7,7%) em relação ao ano passado (338 mortes), mas um aumento de 14,7% desde a posse da presidente Dilma Rousseff (PT)”, constata a ONG na introdução do relatório. 

Cuiabá aparece em primeiro lugar em termos relativos. Foram 17,6 homicídios para uma população de quase 570 mil habitantes. O segundo lugar é João Pessoa, Capital da Paraíba, com 14,3 mortes para 770 mil habitantes. 

Em relação ao perfil das vítimas, o estudo relembra o caso do funcionário público Everaldo Gioli de Andrade, 37 anos (leia AQUI). O levantamento afirma que Andrade foi morto em março passado em um terreno baldio em Cuiabá e teve seu carro queimado. 

“O corpo foi encontrado amarrado, com visíveis sinais de tortura, com queimaduras feitas com pontas de cigarro e com mais de 20 golpes de facas e buracos de balas pelo corpo”, diz trecho. 

Para a Organização Não Governamental, o padrão predominante do assassinato contra homossexuais é que a vítima seja assassinada dentro de sua residência, com armas brancas ou objetos domésticos, enquanto as travestis e transexuais são mortas na pista, a tiros.

Segundo o analista de sistemas Dudu Michels, responsável pela manutenção do banco de dados da ONG, é preciso que não haja ponderações para se taxar crimes de homofóbicos. 

“Quando o movimento negro, os índios ou as feministas divulgam suas estatísticas letais, não se questiona se o motivo de todas as mortes foi racismo ou machismo, porque exigir só do movimento LGBT atestado de homofobia nestes crimes hediondos?”, questionou. 

“Ser travesti já é um agravante de periculosidade dentro da intolerância machista dominante em nossa sociedade, e mesmo quando um gay é morto devido à violência doméstica ou latrocínio, é vítima do mesmo machismo cultural que leva as mulheres a serem espancadas e perder a vida pelas mãos de seus companheiros, como diz o ditado, viado é mulher tem mais é que morrer!”, completou no estudo.

Solução 

Para o Presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, há quatro soluções emergenciais para a erradicação dos crimes homofóbicos no Brasil. 

“Educação sexual para ensinar aos jovens e à população em geral o respeito aos direitos humanos dos homossexuais, aprovação de leis afirmativas que garantam a cidadania plena da população LGBT, equiparando a homofobia e transfobia ao crime de racismo; exigir que a Polícia e Justiça investiguem e punam com toda severidade os crimes homo/transfóbicos e finalmente, que os próprios gays, lésbicas e trans evitem situações de risco, não levando desconhecidos para casa e acertando previamente todos os detalhes da relação. A certeza da impunidade e o estereótipo do gay como fraco, indefeso, estimulam a ação dos assassinos”, ressaltou. 

2014

Apesar de o Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais no Brasil ser mais focado em 2013, o Grupo Gay da Bahia levantou que em 2014 começou “mais sangreto”: só em janeiro foram assassinados 42 LGBT, um a cada 18 horas.

Fonte: Midia News

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