domingo, 6 de outubro de 2013

Pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela índice de Homofobia nas escolas brasileiras




O Brasil teve um aumento de 40% nos crimes de homofobia em 2012 .Temos debatido no comitê de cidadania LGBT carioca se houve um real recrudescimento do ódio ou se simplesmente nossas campanhas surtiram efeito e as pessoas têm denunciado mais.

Meu olhar, via consultório e redes sociais, é que o aumento da visibilidade dos LGBTs e a utilização do embate por líderes pseudoreligiosos ou “deputados federais que não tem projeto mas adoram um grito na tribuna” têm feito com que as pessoas se posicionem, para o bem ou para o mal. Infelizmente, no país que está em 40º lugar numa lista de 41 em educação, muitos se posicionam através do ódio, da intolerância e da ignorância.

Outros 30% do aumento da homofobia no país, pasmem, foram registrados na escola. O ambiente; que deveria ser apropriado para a formação do cidadão, com exemplos nos quais o jovem possa se espelhar, tornou-se um lugar do ódio, da agressão. O índice de suicídio de jovens gays é 3 a 7 vezes maior que o de jovens heterossexuais. E isso tudo ocorre apesar da Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira, que define:

Art. 1º. A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. (LDB)

A figura do orientador educacional ou do psicólogo escolar (praticamente) sumiu da educação, inclusive de alguns colégios privados. A escola virou uma “máquina de passar em provas” e deixou inteiramente de lado a ideia de formação do cidadão e do combate ao ódio. Abandonou a perspectiva de ser um espaço de diversidade e discussão sobre direitos civis.

Em tempos em que professores vêm sendo espancados por brigarem pela educação, esse texto parece uma utopia ponto e, mas acredito que, dentre as mudanças que deveríamos estar todos exigindo, está uma escolar que realmente forme “gente”.

E quando falo “gente”, quero dizer o ser humano que entende que a imagem de dois homens se beijando não deveria chocar uma criança e sim ser vista como necessária ao seu aprendizado sobre diversidade; que ver o diferente, o novo, aquilo que não é comum é a concepção mais própria de educação.

Sei que em 7 de outubro teremos outra mobilização dos professores e que muito dessa revolta envolve a questão pedagógica.

Espero que neste debate haja espaço para ser trabalhada a ideia de que a escola deixe de ser um dos maiores locais de propagação de ódio, da intolerância e da homo(trans)fobia.

Devemos preparar os professores como profissionais capacitados para lidar com a sexualidade ponto e, ter na escola um espaço de esclarecimento e formação dos nossos jovens para o futuro do país (que hoje detém o troféu em número de mortes de homossexuais e trans).

Tenho noticia de que a ONG Arco-Íris e a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro vêm organizando um projeto (nesse sentido). Nós, do comitê LGBT carioca, também temos pensado o nosso. Que surjam muitos mais projetos, que as entidades nos apoiem e que possamos mudar um pouco o nosso Brasil .

“Educar verdadeiramente não é ensinar fatos novos ou enumerar fórmulas prontas, mas sim preparar a mente para pensar.”

Albert Einstein

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