sábado, 28 de setembro de 2013

Professora aguarda há dois anos por cirurgia de mudança de sexo em MG

Há dois anos, a professora transexual de Uberlândia, Sayonara Nogueira, de 38 anos, aguarda na fila a liberação do Sistema Único de Saúde (SUS) para a cirurgia de readequação sexual, conhecida como mudança de sexo. Segundo informações repassadas ao G1 pelo Ministério da Saúde, 192 pessoas passaram por este processo, pelo SUS, no período de 2008 a 2012. Atualmente, apenas quatro estabelecimentos são credenciados/habilitados no país como Unidade de Atenção Especializada no Processo Transexualizador e nenhum deles fica em Minas Gerais.

A professora de Geografia foi a primeira pessoa a ter nome social registrado no Estado. Para a uberlandense, poder assinar o diário escolar e o caderno de ponto com o nome social e não o civil, Marcos Naider Bonfin Nogueira, já foi uma grande vitória. O próximo passo é a cirurgia e ela acredita que está preparada para tal processo, tanto físico como psicologicamente. “Sobre a cirurgia estou mais tranquila, pois acabei fazendo as pazes com meu corpo e percebendo que não é a genitália externa ou interna que me faz mais humana. Continuo com o acompanhamento médico todas as segundas-feiras e com a terapia hormonal”, contou.

Sayonara Nogueira salientou que muitas pessoas acreditam que a cirurgia é o fim de todos os problemas, mas ela não crê nessa afirmação popular. "O principio da dignidade humana é a base para a sociedade desenvolvida. Não há nada de errado comigo quanto ao fato de ser transexual, pois enquanto ser humano mereço ter os mesmos direitos e respeito que todos os demais. A cirurgia para mim está no fato de estar feliz e realizada com o meu próprio eu. Mas eu sei que mesmo após a operação a sociedade vai me criticar, me rotular e julgar”, desabafou.

A professora espera que até o fim do ano que vem consiga realizar o processo. “Não nos passam nenhuma data para a cirurgia e a equipe que me acompanha só diz que está próximo o procedimento. Estou no aguardo”, afirmou.

Depois da cirurgia, a professora pensa em requerer as alterações no documento de identidade e no CPF. Sayonara Nogueira contou que já chegou a procurar uma ONG de Uberlândia para fazer estas alterações, pois oferecia assistência jurídica. Contudo foi informada que acrescentaria apenas o primeiro nome feminino na frente do atual no registro civil. Nestas condições, não a interessava e não se adéqua à identidade de gênero que ela assume perante a sociedade. "Conheço alguns casos onde travestis e transexuais conseguiram a mudança completa, estou reunindo documentos que comprovam que sou reconhecida somente por Sayonara Nogueira e assim entrarei com uma ação na Justiça", afirmou.

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais afirmou que o tempo de espera para a cirurgia depende da demanda de cada um dos centros habilitados. Além disso, antes de passar por este procedimento, o paciente passa por uma preparação longa. Sobre a quantidade de pessoas que aguardam na fila de espera, a Secretaria salientou que esse dado não está disponível para divulgação.
Cirurgia de mudança de sexo

O Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, desde 2008, assistência integral a pacientes que tenham indicação médica e façam a opção por se submeter ao processo transexualizador de masculino para o feminino. Atualmente, o procedimento é feito em Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia. O paciente que necessita desta cirurgia deve procurar a Secretaria Municipal de Saúde de seu Município de residência, que faz todos os encaminhamentos para um Centro de Referência.

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