sexta-feira, 20 de setembro de 2013

MANIFESTO TRANSGENTE (Letícia Lanz)

EU NÃO QUERO FAVORES: QUERO OS MEUS DIREITOS
Eu não quero programas especiais do governo nem a caridade de “boas almas” compadecidas com a minha “sorte” de pessoa transgênera...
Sou normal e é perfeitamente legal ser do jeito que eu sou:transgeneridade não é delito nem doença. 
Não impede nem limita ninguém de exercer qualquer tipo de profissão ou atividade
não desabilita a pessoa para nenhum tipo de trabalho não diminui em nada sua capacidade física e mental. 
O desempenho de uma pessoa transgênera é idêntico ao de uma pessoa cisgênera, exceto na cabeça de mentecaptos machistas que, infelizmente, ainda infestam este mundo, atrasando o progresso moral e material da humanidade. 
EU NÃO PRECISO DE FAVORES: PRECISO QUE OS MEUS DIREITOS SEJAM RECONHECIDOS E RESPEITADOS.
Direito de expressar o gênero com o qual eu mais me identifico e no qual eu me sinto mais confortável.
Direito de me vestir e de me comportar do modo que melhor expresse a minha identidade, sem ser vítima de avaliações e julgamentos preconceituosos e hostis, baseados na crença absurda de que deve existir um corpo adequado para cada tipo de roupa - e não o contrário.
Direito a alterar o meu nome civil, se assim eu desejar, sem quaisquer barreiras legais ou entraves burocráticos, de maneira a ser chamada de acordo com o gênero no qual eu vivo no dia-a-dia.
Direito de frequentar a escola sem sofrer discriminação de diretores, supervisores, professores, auxiliares, alunos e parentes de alunos.
Direito de não sofrer bullying d@s colegas, sempre estimulados por uma política de patrulhamento e terrorismo de gênero, destinado a manter todo mundo enquadrado no binômio oficial masculino/feminino.
Direito de frequentar o banheiro destinado ao gênero que eu estou expressando e não ao gênero com o qual me rotularam ao nascer, à minha revelia, e inteiramente contra a minha vontade. 
Direito de receber atendimento médico público e gratuito de qualidade, inclusive para terapia de reposição hormonal e realização de cirurgia de readequação genital, se esse for o caminho para a minha total integração na sociedade. 
Direito de ir e vir, a qualquer hora e em qualquer lugar, protegid@ por leis que garantam a minha integridade física e moral e a minha cidadania, de forma a não sofrer nenhum tipo de constrangimento ou violência real ou simbólica ou, sofrendo, poder recorrer ao amparo da justiça. 
Direito de me relacionar afetiva e sexualmente com pessoa da minha escolha, sem ter que me submeter a rígidas e tolas determinações heteronormativas que me impedem de amar quem eu quero e quem me quer amar. 
Direito, enfim, de ser eu mesm@, sem ter que me explicar e me justificar para quem quer que seja, como se todo mundo se sentisse no direito de me exigir explicações por eu ser do jeito que eu sou.
Sou competente, posso trabalhar e desde que meus direitos sejam reconhecidos e respeitados não precisarei de nenhum favor de ninguém para arrumar um emprego digno e decente, de acordo com os meus talentos e habilidades profissionais. 
Se você quer me ajudar, por favor não se compadeça nem tenha pena de mim. Ajude-me a resgatar os meus direitos civis, que hoje me estão sendo negados e conspurcados em nome de preconceito, intolerância ou puro e simples desinteresse, descaso e ignorância.

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