domingo, 11 de agosto de 2013

'Flores Raras' chega aos cinemas em momento adequado, diz Glória Pires


Interprete de uma mulher homossexual em “Flores Raras”, do diretor Bruno Barreto, a atriz Glória Pires acredita que o filme com estreia comercial marcada para o dia 16 chega aos cinemas do Brasil em um momento importante, em que temas como “cura gay” são discutidos no país. A obra foi exibida na noite de sexta-feira (9), na abertura da 41ª edição do Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha.

No longa baseado em uma história real, a atriz encarna Lota de Macedo Soares, uma paisagista brasileira autodidata conhecida por idealizar o projeto do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, e que teve um relacionamento de 16 anos com a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop, interpretada pela australiana Miranda Otto.

“O filme aparece em um momento muito apropriado, embora não tenha sido essa a intenção. O homossexualismo é um assunto em alta aqui (no Brasil). As pessoas ainda sofrem muito com isso. Tenho recebido muitos e-mails lindos de pessoas sofrem preconceito da família, ainda vivem escondidas”, contou a atriz, em entrevista coletiva neste sábado (10)

“Como a arte está sempre está interferindo na realidade, é uma via de mão dupla, espero que o filme possa ajudar as pessoas a encararem o homossexualismo de uma forma mais normal, a desmitificar essa questão. Todos nós somos seres humanos e temos os mesmos direitos”, acrescentou a atriz.

Segundo Glória, a homossexualidade era apenas um traço da personalidade de Lota. O que a atraiu para o papel foram as outras facetas da arquiteta, conhecida pela inteligência, pelo gênio forte e pela impetuosidade, apesar dos costumes conservadores de sua época.

“Para mim, foi um grande desafio como atriz. A primeira coisa que atraiu foi o fato dessa história não ser conhecida dos brasileiros. Em segundo lugar, o fato de ela (Lota) viver naquela época, nos anos 50 e 60, uma relação homossexual assumida e ser que ela era. Ela aglutinava a todos.  Quando ela chegava em um ambiente, era dela”, analisou Glória.   

Segundo uma das produtoras do filme, Lucy Barreto, o papel de Lota estava reservado para Glória Pires desde quando, em 1995, ela adquiriu os direitos para o cinema do livro “Flores Raras e Banalíssimas – A História de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop”, de Carmen Lucia Oliveira. A atriz aceitou o papel na hora, mas o projeto ficou na gaveta por 17 anos.

A preparação de Glória Pires para o papel incluiu leituras das poesias de Bishop e cartas escritas pela escritora, além de livros sobre a situação dos homossexuais no Rio de Janeiro da época e depoimentos de pessoas que conviveram com Lota. Mas o tempo, diz a atriz, foi seu maior aliado.

“Enquanto eles trabalhavam para viabilizar a produção, houve esse amadurecimento, pessoal e profissional. E isso acho que foi a maior preparação que eu pude ter. A gente não consegue isso em livro. A experiência, só o tempo dá”, destacou Glória. 

Como a maior parte do filme é falada em inglês, a atriz contou que ficou preocupada com as cenas mais dramáticas, mas o resultado agradou tanto ao diretor Bruno Barreto quando à produtora Lucy, que já vislumbra uma carreira internacional para a atriz como a das francesas Juliette Binoche ou Marion Cotillard.
“A Glória encarnou completamente a Lota, que falava sete línguas e um inglês muito bom. Não há na ‘delay’ na atuação dela, separação entre o pensar e o dizer”, elogiou a produtora. “No cinema, graças a Deus, hoje temos a figura do ‘coaching’ (treinador), que ajuda demais”, rebateu Glória, modesta, antes de resumir sua atuação em três palavras. “Instinto, paixão, entrega”, concluiu a atriz.

Fonte: G1

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