domingo, 11 de agosto de 2013

'Ela veio para iluminar nossas vidas', diz homossexual que adotou criança

A adoção de crianças por homossexuais em Santa Catarina está se tornando cada vez mais comum. Para adotar é necessário passar por etapas de cadastro, de avaliação, de aproximação com a criança, guarda provisória e finalmente, a guarda definitiva. No estado, existe a adoção feita por apenas uma pessoa ou por casais. É o caso de duas famílias de Florianópolis. Em uma delas, um casal adotou uma menina recém nascida. Em outro caso, um homem adotou sozinho um menino de seis anos.

Dois pais

João Batista da Silva, 52, e Marcelo Bonacin, 49, estão juntos há 22 anos. Há cerca de seis anos eles adotaram uma menina. "Eu sempre quis ter filhos. Ela veio para iluminar nossas vidas", conta João.

O Dia dos Pais será comemorado em dose dupla. "A Valentina conta para todos que não tem mãe e sim dois pais. Ela nos chama de papai João e papai Marcelo. E no dia das mães, nós também comemoramos. Na escola, pediram para levar fotos da mãe. Ela levou uma foto de nós três e desenhou um coração bem grande", explica.

Apesar de ter avançado na questão de casais homoafetivos, segundo João, a questão do ambiente familiar e da influência nos filhos ainda é bastante discutida. "Ela é muito parecida comigo, de jeito, bem afetiva, amorosa. Nós a amamos muito, queremos que ela seja muito feliz e realizada. Nós passamos uma boa educação para ela, ela é muito comunicativa, muito afetiva. Ela conquistou nós todos". João Batista brinca que, quando ela for mais velha e começar a namorar, vai sentir muito ciúme. "Ao invés de ser um pai para sentir ciúmes serão dois", ri.

Na escola, os pais também encaram a situação com naturalidade. "Os amigos dela dizem 'os dois pais da Valentina'. Nunca percebi nenhum tipo de preconceito, nem dos pais, nem das crianças. Às vezes alguém pergunta onde está a mãe, e ela responde que tem dois pais. Somos uma família não tradicional", conta.

Pai e mãe

Um morador de Florianópolis, de 46 anos adotou sozinho uma criança. "Eu sempre quis ter filhos, então, quando estava perto dos 40 anos, resolvi entrar com o processo de adoção e me inscrevi no Cadastro Nacional", diz.

O menino veio de um abrigo no Rio Grande do Norte logo antes de fazer sete anos. "Houve um período de aproximação, por telefone, conversamos muito e quando eu fui conhecê-lo era uma quinta-feira. Fui com o meu pai e já no primeiro dia ele não quis voltar para o abrigo", diz.

Desde o início ele diz que a adaptação foi tranquila. "A psicóloga fez um trabalho com ele, explicando que ele seria adotado por um homem, falou sobre a minha orientação sexual, mas tudo foi deixado claro antes de ele vir morar comigo", explica. O pai recebeu a guarda da criança e depois de cerca de oito meses, foi feita a audiência para a guarda permanente. "O juiz perguntou a ele se ele queria ficar comigo e ele disse que sim, então o processo de adoção foi finalizado e nos documentos agora consta o meu nome como pai. Ele está comigo há um ano e oito meses", diz.

Na escola, segundo o pai, o menino de sete anos está bem adaptado. "Na escola eu ajo como pai e nunca ninguém me perguntou quem é a mãe. Eu conversei com as professoras e com as orientadoras sobre a história dele, de onde ele vinha, para que elas me ajudassem a cuidar dele, ficando atentas para qualquer sinal de que ele pudesse não estar se adaptando. Mas, segundo elas, ele é um ótimo aluno, se dá bem com todo mundo", conta.

Sobre o preconceito, o pai explica que nota comentários a respeito da situação. "Eu tenho a preocupação de protegê-lo e preservá-lo. Eu namoro há dez meses, mas evitamos nos beijar na frente dele, por exemplo. Mas ele sabe que é meu namorado. Eu tenho a pele bem clara e o meu filho é mais moreno. Percebo que as pessoas comentam, principalmente quando saio para jantar com ele e meu namorado, por exemplo", comenta.

"Existe um preconceito das outras crianças, então ele é discreto em relação ao assunto. Mas partiu dele, não foi orientação minha", diz. Segundo o pai, a orientação sexual dele não interfere na do menino. "Ele tem uma namoradinha na escola e demonstra um interesse fora do habitual por mulheres. Outro dia estávamos na praia e ele comentou 'nossa, como tem mulheres bonitas por aqui", ri.

No Dia das Mães, o pai diz que tentou deixar o filho à vontade com a situação. "No primeiro Dia das Mães, em 2012, disse a ele que, se quisesse, poderia entregar um presente para a avó ou para alguma das tias, mas ele entregou para mim. Ai neste ano foi a mesma coisa. Mas ele chegou super empolgado com um presente e disse: 'pai, feliz Dia das Mães'. Fiquei muito contente.

Fonte: G1

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