sábado, 29 de junho de 2013

A Psicóloga Terapeuta Sexual Márcia Atik explica porque dizer não ao Projeto Cura Gay

A notícia.
O projeto de decreto legislativo, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), suspende dois trechos de resolução instituída em 1999 pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia). O primeiro trecho sustado afirma que “os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”.
A proposta aprovada ontem anula ainda artigo da resolução que determina que “os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.
Na justificativa do documento, Campos  afirma que o conselho “extrapolou seu poder regulamentar” ao “restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional”.
A palavra que não quer calar.
Revisitando dados importantes, vemos que em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria e, em 1975, a Associação Americana de Psicologia revisaram seus protocolos de procedimentos, passando a considerar a homossexualidade um estado tão saudável quanto a heterossexualidade. 
Uma década depois, em 1985, o Conselho Federal de Medicina anulou a aplicação do código 302 da Classificação Internacional de Doenças (CID) no Brasil, excluindo a homossexualidade do rol de doenças ou transtornos sexuais
Em 1990, a Assembléia-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, deixando de constar da CID e, no ano seguinte, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.
A partir desses avanços, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) emitiu a Resolução nº 001/99 na qual, dentre outros assuntos, deliberou que “psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”.
Agora o  Congresso Nacional discute o Projeto de Decreto Legislativo 234/2011, que pretende sustar a aplicação do Parágrafo Único do artigo 3º e o artigo 4º da Resolução 001/99 do CFP, que estabelecem normas de atuação para os profissionais de psicologia em relação à questão de orientação sexual. O objetivo deste projeto visa o retorno da patologização da homossexualidade, ferindo a autonomia desta autarquia e também os direitos da população além da autonomia de profissionais quês e pautam pela ciência e pela ética.
Esse retrocesso aos direitos humanos, especialmente para jovens LGBT,além de ferir direitos, confunde ainda mais a população sobre esse tema. Isso afeta diretamente a autonomia e emancipação de grande parte da população, que passa pela fase de descoberta de sua sexualidade e, no caso, poderia ter uma “falsa” cura imposta à orientação sexual e muito pior do que isso, pela fragilidade e medos que são naturalmente impostos por uma sociedade ainda, infelizmente na sua maioria homofóbica, trazer dores e danos, em alguns casos irremediáveis..
Se a ciência, por meio de diversos organismos nacionais e internais, já comprovou que a homossexualidade não é uma doença, não seria um decreto legislativo que teria poder para dizer o contrário.
Além de que temos muitos problemas sociais que pedem ações e um olhar mais atento e cauteloso dos nossos edis do que a nossa  vida é íntima e pessoal .
Fonte: AT Digital

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