quarta-feira, 20 de março de 2013

Para ONU, cancelamento da distribuição de kit contra a homofobia tem caráter religioso


O cancelamento da distribuição do material educativo com mensagens anti-homofobia e de incentivo ao uso da camisinha não foi bem recebido pela ONU. O kit, que era destinado especialmente aos adolescentes, é constituído por seis revistas de histórias em quadrinhos, e trata de temas como gravidez na adolescência e homossexualidade.


O coordenador do programa Conjunto das Nações Unidas sobre a Aids no Brasil, Pedro Chequer, desaprovou a decisão do governo federal."Recebemos a notícia com desapontamento e surpresa. Esperamos que a decisão seja revista", disse, de acordo com o jornal o Estado de São Paulo. "A mensagem de independência pode ser substituída por uma postura retrógrada, de quem restringe suas ações em virtude de dogmas religiosos”, concluiu.

Na Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco, a decisão também não foi bem recebida. "O material aborda uma série de questões: combate à homofobia, necessidade do uso de preservativos, gravidez na adolescência. Temas que estão na sociedade, que devem ser discutidos e enfrentados", aponta a coordenadora da instituição, Rebeca Otero.

Oficialmente, o governo federal listou alguns motivos para a suspensão da distribuição do material: precisa ser aprovado por uma comissão do Ministério da Educação, o material não tem a mensagem de que a aids não tem cura, algo considerado essencial, e estava faltando o logotipo do governo.

Embora o governo negue, parlamentares e movimentos sociais acreditam que a suspensão ocorreu por conta de uma grande pressão da bancada evangélica que seria contrária a distribuição deste tipo de material, por considerar que o produto incentiva o homossexualismo, principalmente entre os jovens. Outra razão é que o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é muito cotado para ser o candidato do PT ao governo do estado de São Paulo e não teria interesse de entrar em atrito com grupos religiosos.

Já para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o pastor Marco Feliciano, a decisão de suspender o material foi acertada. "O ministro nada mais fez do que honrar um compromisso de governo. A bancada evangélica já havia manifestado o receio de que o kit circulasse novamente. Temos a garantia de que qualquer material de conteúdo mais polêmico não circule antes de ser avaliado e sem a nossa aprovação", afirmou.

Fonte: Português

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