domingo, 25 de novembro de 2012

Zecarlos Gomes com as 'Sereias de Salto' Abre a 2ª edição do SANSEX


Nesta terça-feira (27/nov), às 21h, o espetáculo musical ‘Sereias de Salto’ será apresentado gratuitamente na cerimônia de abertura da 2ª Sansex no Teatro Guarany (Praça dos Andradas/Santos). Com direção e concepção de Zecarlos Gomes, o artista divide o roteiro com Kadu Veríssimo, realizando um musical inspirado nos grandes musicais do século XIX, nas divas do século XX e nas boates gays atuais. Esquetes teatrais, musicais e dublagens compõem um espetáculo inusitado e eclético, que vai do ritmo dançante de Donna Summer aos batuques de Clara Nunes.

O curso teve início em março de 2012 no Sesc Santos e de abril a julho de 2012, na Unisanta. O elenco passaram por uma seletiva de 56 inscritos e garantiram seus lugares nas poucas vagas. Os selecionados tiveram aulas de teatro (Zecarlos Gomes), dança (Fernanda Ianuzzi), canto (Rosy Padron) e maquiagem (Fernando Pompeu) durante meses, tudo voltado para o universo das drags e para a construção do espetáculo de formatura. Confira a entrevista com Zecarlos Gomes:

1) Em outras entrevistas, você conta que inicialmente se apresentava em aniversários como drag queen. Quando e como surgiu o convite ou a vontade de montar essa personagem?
Não me lembro exatamente a data, entre 2009 e 2010 tinha um grupo de Humor e Improviso o Cardápio Cênico, que semanalmente estava em cartaz no Torto Bar (em Santos), e toda semana tínhamos temas novos. Um deles foi eu de drag, não sei pelo qual motivo (risos), após isso recebi convite para alguns eventos como drag. A Sheyla surgiu como todos os outros surgiram, por algum tipo de necessidade por determinado assunto, nesse caso o humor.

2) Ao interpretar uma drag queen, você compõe sempre uma mesma personagem. Quais foram suas referências para criar a Sheyla? 
Sim. A Sheyla é uma personagem como todas as outras, o seu humor que varia de acordo com a estação do ano (risos). A Sheyla tem muito do Farropa, meu palhaço no circo, só que de salto.


3) Você teve a ideia de montar o curso em uma mesa de bar. Em que ano foi essa conversa e por que criar essa especialização artística na Região?
Em 2009. A idéia de criar, foi justamente por não existir e ser constatado de fato, que há essa necessidade. A drag carrega uma bagagem artística que precisa ser formalizada como técnica. O canto, a dança, a teatralidade e a maquiagem não podem ser encaradas como autodidatismo, o talento conta muito sim, mas artista é a união de vocação e estudo, e com a drag não pode ser diferente.

4) Qual o mercado de uma drag queen na Região? Em que locais uma pessoa poderia apresentar sua personagem?
É muito restrito quando se diz em casas noturnas. Mas, existe outros caminhos e com mais retorno financeiro para esse artista, que são os telegramas animados e animação de eventos.

5) Você acredita que houve preconceito da população em geral ou da população LGBT quanto ao curso? Se houve preconceito, como você pessoalmente lidou com ele? 
Por se tratar de algo novo, o preconceito foi natural, assim como teve muita aceitação também, tanto do público LGBT quanto do público hétero. Na verdade o preconceito não chegou diretamente em mim, o projeto foi bem visto na prática. Alguns alunos tiveram particularmente algumas reações negativas, mas, que hoje foram superadas e resolvidas.

6) Teve algum depoimento de um aluno ou espectador de 'Sereias de Salto' que mais lhe marcou durante o curso? 
Nada em específico. Mas, confesso que do início até hoje o curso e o espetáculo é extremamente marcante simplesmente por existir e pelas conquistas alcançadas. Uma delas foi a boa aceitação na faculdade onde o curso acontece, a Unisanta.

Fonte: Sansex

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