domingo, 23 de setembro de 2012

Primeira política transexual do país conquista Brasília


BRASÍLIA O documentário “Kátia” foi o filme mais aplaudido das sessões da mostra competitiva de quarta-feira no Festival de Brasília. O longa é resultado de 20 dias de filmagens, período em que a diretora piauiense Karla Holanda acompanhou a personagem que dá nome à produção. Kátia Tapety é a primeira travesti a ser eleita a um cargo político no Brasil. Ela foi vereadora três vezes, além de vice-prefeita do pequeno município de Colônia no sertão do Piauí.

No entanto, sua carreira política não é o foco do filme. Esse fato até foi o que chamou a atenção da cineasta para a personagem, mas a “política se tornou cada vez mais secundária”, afirma Karla. Ainda mais expressivo que isso, era a maneira que Kátia se fazia respeitar entre os habitantes da região. Baseando-se apenas no tratamento que ela recebia dos moradores, podia aparecer quem achasse que o preconceito simplesmente não existe naquelas cidadezinhas do agreste. “Homens viris a abraçavam e beijavam em praça pública e à plena luz do dia”, conta Karla.


A impressão de ampla tolerância e respeito também viria dos números. Quando eleita, Kátia foi sempre a vereadora mais votada do município.

Porém, a abertura do documentário desmente logo o conto de fadas. No trecho, Kátia aparece falando do que sofreu com o pai, chefe de uma família tradicional. “Ele dizia que homem que ia ser viado, tinha que morrer”, ela repete várias vezes durante o longa. Ainda criança, foi separada dos irmãos, que moravam em Oeiras, para viver em Colônia. Lá, Kátia aprendeu a cuidar de porco, bode e, segundo o pai, isso seria tudo que ela poderia fazer.


“Hoje eu seria doutora Kátia, com certeza”, lamenta por não ter tido a oportunidade de estudar com os irmãos.

Mesmo assim, “Kátia” arrancou risos da plateia do festival, que não esperou o fim da exibição para aplaudir a personagem bem humorada e tagarela. “Me filma descendo a escada”, comandava a estrela do filme para a equipe, num dos momentos em que o público caiu na gargalhada. Na vida real, não há dúvida que ela de fato é uma estrela.



Um comentário:

  1. Parabéns a Diretora Karla Holanda. E VIVAS mais que merecidos e justos a Kátia Tapety. Onde está a diferença em ser humano? Apenas na percepção e capacidade em viver "plenamente" o que for possível viver.

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