quinta-feira, 5 de julho de 2012

Polícia identifica suspeitos de terem matado jovem homossexual em Volta Redonda


RIO - Após ouvir depoimentos de testemunhas, o delegado titular da 93ª DP (Volta Redonda), Antônio Furtado, informou na tarde desta segunda-feira que já existem suspeitos de terem assassinado Lucas Ribeiro Pimentel, de 15 anos. O corpo da vítima, que era homossexual, foi encontrado na última quinta-feira, justamente o Dia do Orgulho Gay, boiando no Rio Paraíba do Sul, próximo ao bairro Retiro, em Volta Redonda, no Sul Fluminense. A polícia interpreta que o latrocínio - roubo seguido de morte - também teve motivações homofóbicas, uma vez que o crime foi praticado com requintes de crueldade.

A partir dos depoimentos, está sendo investigada a participação no crime de um rapaz de 20 anos que estaria com Lucas no dia em que o menor desapareceu. O suspeito não foi mais visto no dia seguinte ao desaparecimento de Lucas. Segundo um tio do jovem, que se identificou apenas como Antônio, o suspeito estava em Volta Redonda havia dois meses, morando no bairro Retiro. Ainda segundo Antônio, o sobrinho chegou em casa chorando apenas para se despedir e depois não fez mais contato.

A polícia ouviu ainda o depoimento de uma menor que também teria estado com Lucas no dia do seu desaparecimento. A jovem, de 16 anos, namora um rapaz que já teve passagem pela polícia e estaria envolvido com o tráfico no bairro Jardim Cidade do Aço. Ele está desaparecido há três dias. Outro suspeito é um comerciante que, segundo testemunhas, tem cerca de 40 anos e foi a última pessoa a ver Lucas com vida. Estão sendo apuradas informações de que os R$ 900,00 que foram roubados do menor assassinado eram, na verdade, do comerciante, de quem ele teria furtado a quantia. De acordo com os menores ouvidos nesta segunda-feira e que estavam com Lucas no show, o comerciante teria aparecido na saída da Ilha São João e chamado a vítima para conversar. Depois disso Lucas não foi mais visto.

As testemunhas contaram ainda que este comerciante pagava para que meninas menores de idade mantivessem relações sexuais com ele e que era Lucas quem fazia o contato com as adolescentes, geralmente com menos de 15 anos. De acordo com a polícia, se o fato for confirmado, o comerciante pode responder por pedofilia. As investigações continuam e estão sendo acompanhadas por parentes de Lucas.

Também nesta segunda-feira circularam versões de que Lucas era usuário de drogas – o que foi negado inicialmente pelos parentes – e que estaria envolvido em pequenos furtos. O delegado disse que vai investigar todos as pessoas citadas como supostos autores do crime.

- No momento existe muita especulação, mas a polícia vai apurar todas as informações, mesmo aquelas que foram feitas anonimamente, por meio de telefonemas para a delegacia - disse Furtado.

A fim de acompanhar de perto e auxiliar nas investigações do assassinato do jovem, o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento, e o coordenador do Centro de Referência da Cidadania LGBT da capital, Almir França, estiveram nesta segunda-feira na cidade. O delegado já pediu as imagens do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública.

“Nossa primeira preocupação foi acolher a família de Lucas. É um crime bárbaro e uma palavra de conforto nesta hora é de suma importância. Neste momento, estamos auxiliando nas investigações e conscientizando da importância de se denunciar crimes como esse. Acompanharemos de perto para que mais esta homofobia trágica não fique impune!”, afirma, por meio de nota, o também coordenador do Programa Rio Sem Homofobia, Cláudio 
Nascimento.

Cláudio Nascimento e Almir França também tiveram um encontro com o vice-presidente do Conselho Municipal da Juventude de Volta Redonda, Adilson Paulo de Oliveira, e o representante do Movimento LGBT do Sul Fluminense, Andrei Lara, que ajudaram na obtenção de mais informações do caso.

Segundo testemunhas, o rapaz estava com R$ 900, que foram roubados. Lucas foi visto pela última vez na noite de sábado em um show, na Ilha São João. 

Antes de desaparecer, ele chegou a informar a dois conhecidos que viajaria para o Rio após o evento. A família de Lucas chegou a registrar o desaparecimento dele na delegacia. A vítima foi empalada e teve os olhos perfurados e crânio afundado. O rapaz morava no bairro Açude. Ele costumava a frequentar a casa da mãe, no bairro Voldac, também em Volta Redonda.

Fonte: Globo

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