quinta-feira, 12 de julho de 2012

Após violência, ONG que luta contra a aids vai recomeçar


Beto Volpe

Por Victor Miranda
Um único ato criminoso pode trazer sérios problemas à vítima. O que dizer, então, de oito registros de violência contra um mesmo alvo, em 6 meses? A ONG Hipupiara Integração e Vida, de São Vicente, sabe bem as consequências que um caso destes pode acarretar.

Entre novembro de 2008 e junho de 2009 a instituição, que atende e orienta portadores do vírus HIV, foi alvo de oito invasões que deixaram algum tipo de prejuízo. Computadores, impressora multifuncional, câmera fotográfica e scanner foram roubados. Documentos perdidos. Janelas e até paredes foram depredadas.


“Perdemos quatro anos e a chance de atender pessoas necessitadas de um acompanhamento”, avalia o ativista Luiz Alberto Simões Volpe, o Beto Volpe, fundador e presidente da ONG.

Segundo ele, os prejuízos econômicos são secundários perto deste contexto. Desde então a instituição entrou em declínio. Beto Volpe não gosta de usar esse termo, mas admite que, a partir de agora, seu grande desafio vai ser a recuperação da ONG Hipupiara – após dois anos afastado, ele voltou à presidência no começo deste mês.

Se antes o local era conhecido por cursos de capacitação, orientação e por uma boa estrutura, hoje os trabalhos são menos intensos. Atividades como a academia, o acolhimento, assistência jurídica e o bazar permanente são mantidos com muito esforço. Outras, tiveram vida curta, casos das oficinas de direitos humanos, corte e costura e marcenaria. 

Neste momento, aliás, estes serviços até deixam de ser prioritários. “O que mais queremos é voltar a ter uma atuação no controle social de políticas públicas voltadas a soropositivos e à prevenção do HIV”, conta.

Dentre as formas de atuação que almeja para a ONG, Beto Volpe aponta o acompanhamento dos recursos destinados ao combate ao vírus da Aids, campanhas de conscientização e participação em conselhos de saúde.

“O grande problema é que a Aids deixou de ser notícia. Não vende mais jornais. Não assusta mais as pessoas”, comenta, justificando que os coquetéis de tratamento da doença prolongaram a vida dos soropositivos, mas reduziram a preocupação social. “As pessoas acham que a doença tem cura e estão perdendo a noção de que é preciso prevenir. Sempre”.

Estrutura

Nesta tentativa de reestruturar a instituição, um dos desafios será recuperar o contato com as famílias atendidas. No cadastro da ONG, ao todo, são 205. Mas hoje é difícil calcular quantas realmente são participantes do projeto.
Retomando os contatos, o próximo passo será a recuperação do espaço físico. Os recursos para isso são escassos. A Prefeitura repassa uma subvenção anual à ONG, no valor de R$ 30 mil, e banca a locação da sede, situada na Rua Caminho dos Barreiros, 74, no Bairro Beira-Mar, em São Vicente.

“Nossas maiores necessidades são material para construção e elétrico para adequar o prédio às exigências dos bombeiros, mão de obra voluntária tanto para a reforma quanto para o voluntariado em si”, diz Beto Volpe. Interessados em colaborar podem entrar em contato pelo telefone 3466-4007.

Fonte: Jornal A Tribuna

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