sábado, 2 de junho de 2012

História do 1º partido homossexual da Argentina vira documentário


A atividade militante e o crescimento dos "Putos Peronistas", o primeiro partido político homossexual da Argentina, chegou nesta quinta-feira aos cinemas do país com um documentário que busca quebrar preconceitos e apresentar um outro olhar dos grupos menosprezados.

O filme "Putos Peronistas, Cumbia del Sentimento" aborda os fatos políticos mais ressonantes da Argentina nos últimos quatro anos sob a perspectiva peculiar desse movimento, que nasceu em 2007 na cidade de La Matanza e se estendeu por outras regiões argentinas.

Em um país onde o peronismo governante se divide em várias facções, mas sabe manter seu papel na cena política, este movimento crescente aparece como uma consequência dos direitos que os homossexuais conseguiram nos últimos anos, entre eles a lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada em 2010.

"O documentário é uma espécie de reality, já que não tem formato de entrevistas e acompanha as atividades do grupo em todas as atividades realizadas nos últimos quatro anos", explica à Agência Efe o diretor do longa-metragem, Rodolfo Cesatti.

O filme conta com a participação dos próprios integrantes da organização política próxima ao governo argentino nos debates pela lei de audiovisual, aprovada em outubro de 2010, nos atos a favor das normas que habilitaram o casamento entre homossexuais e na mudança de gênero na certidão de identidade, validada neste mês pelo Parlamento.

A participação do grupo nas passeatas do orgulho gay e no funeral do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) - falecido marido e antecessor da atual governante argentina, a peronista Cristina Kirchner - aparecem como pontos altos do filme.

Tendo as atividades como foco principal, o longa aborda ainda o "trabalho territorial" do movimento, que visita periodicamente os "trabalhadores sexuais" em diferentes bairros. "Nestas visitas, o grupo fornece preservativos e conversam sobre a prevenção de doenças como a Aids", destaca Cesatti.

"Muitas vezes, a única alternativa trabalhista para travestis e transexuais é a prostituição, na qual são marginalizados e agredidos. Por isso, nós reivindicamos politicamente um trabalho decente", ressalta a secretária-geral do partido em Buenos Aires, a travesti Diana Lavalle.

"Empregos dignos ajudariam a acabar com a discriminação, os problemas de acesso à educação e, inclusive, os de moradia que essas pessoas sofrem", opina a ativista.

O documentário também reflete casos de militantes do movimento que alcançaram um trabalho digno, como ocorreu com Iara, uma travesti que já foi prostituta e atualmente trabalha no Ministério da Justiça argentino.

O longa-metragem, de 92 minutos, "propõe um íntimo acompanhamento da vida dos integrantes do grupo, de sua forma particular de difusão e sua militância por trás de sua convicção em direção ao peronismo", detalha um comunicado sobre a obra, que trata da dupla marginalização sofrida pelos membros do partido, tanto por serem homossexuais quanto por serem pobres.
"Putos Peronistas, integrado por gays, travestis e transexuais, também busca uma reivindicação dos direitos de classes, levando em conta suas origens em La Matanza, um dos distritos mais pobres de Buenos Aires", ressalta Cesatti.

"A ideia é mostrar outra perspectiva da diversidade dos setores mais desprezados", indica a secretária-geral da organização, que se estendeu a várias regiões das províncias de Buenos Aires, Santa Fé, Córdoba, Santiago del Estero e Neuquén.

"Os protagonistas são gays, mas não é um filme somente para homossexuais. Trata-se de uma produção sobre militância, que espera mostrar os Putos Peronistas como seres politicamente pensantes e ativos, além da sexualidade", complementa Cesatti.

Fonte: TERRA

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