terça-feira, 29 de maio de 2012

Entidade vê homofobia em comercial da Nova Schin com travesti


São Paulo – A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) divulgou hoje (28) um oficio no qual pede que o comercial “Festa de São João”, da marca de cerveja Nova Schin, seja retirado do ar. O documento foi enviado ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) alegando que a propaganda possui discriminação contra travestis e incentiva a homofobia.

No comercial, um homem interessa-se por uma moça da festa junina, porém, ao chegar perto para conversar, percebe que a mulher é um travesti. Após notar o engano, ele vira motivo de piada entre os amigos. A história é narrada por um repentista que usa linguagem parecida com a literatura de cordel.

De acordo com o presidente da ABGLT, Toni Reis, a associação recebeu denuncias de pessoas que se sentiram ofendidas com a propaganda. “Analisamos o comercial e fizemos uma série de trocas de personagem, tiramos a travesti e colocamos um negro, uma mulher, um judeu. O comercial continuava ofensivo”, comenta, ao explicar a avaliação, que foi feita antes de tomar a decisão de enviar o oficio ao Conar e comunicar a Schincariol.

Para Reis, qualquer pessoa que fosse exposta e se tornasse motivo de piada e gozação, em uma propaganda nacional, não iria gostar. “No vídeo eles ressaltam o pé grande, o gogó, entre outras coisas que os machistas adoram apontar nos travestis e transsexuais”. Ele aponta ainda que essa forma de retratar a personagem e as risadas são degradantes e não podem encontrar justificativa no humor.

“Ninguém nasce sendo homofóbico, nem preconceituoso ou racista, a gente aprende a ser”. Para ele, o problema está em achar que ofender as pessoas, tirar sarro, rir e apontar suas características de forma ofensiva se transformaram em atitudes normais.

Em nota,  a Schincariol, dona da marca Nova Schin, declara que conduz seus negócios com "ética, integridade e repeito pela dignidade de cada indivíduo". A empresa esclarece que “não houve intenção de ofender ou discriminar qualquer pessoa em seu filme publicitário” e informa que até o momento não recebeu nenhuma notificação do Conar sobre o anúncio.

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