quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Bauru tem denúncia de homofobia


“Cala a boca seu viadinho e vai procurar seu marido.” Foi com essas palavras que começou um breve desentendimento, na manhã de ontem, entre dois clientes que aguardavam pelo atendimento em um dos caixas de supermercado localizado na área central. 

O caso ganhou contornos ainda mais delicados porque além da ofensa verbal, a vítima relata que foi agredida pelo outro comprador, por ser homossexual. “Eu já estava passando minha compra no caixa quando este senhor chegou e começou a retirar meus produtos. Eu reclamei, e disse que ele não tinha o direito de mexer no que eu estava pagando”, relata.

“Depois, ele me ofendeu por causa da minha opção sexual e, na sequência, deu um tapa que acabou cortando o meu lábio”, lembra C. H. M., 28 anos. Segundo o registro policial elaborado para essa ocorrência, o agressor seria um senhor, aparentando ter cerca de 50 anos, e teria tentado atingir C. outras vezes.

No final da noite de ontem, quando o Jornal da Cidade conversou com a vítima foi possível notar que além de assustado, o rapaz agredido continuava indignado por nenhuma outra pessoa que estava dentro da loja tentar ajudá-lo. Outra informação relatada no boletim pelo rapaz diz que quando um homem que teria se identificado como segurança do mercado interviu, ele é quem teria sido posto para fora do estabelecimento.

“O senhor continuou, de dentro da loja, me ameaçando, dizendo que depois iria me achar e que eu estava f*****. A polícia só foi chamada minutos depois, quando o gerente chegou ao local”, queixa-se. “Na verdade, quem acabou me socorrendo foi o meu companheiro, que foi avisado por um conhecido sobre o que estava acontecendo”, completa C.

Antes de encerrar seu relato, a vítima ainda fez outra reclamação em relação à conduta adotada pelo estabelecimento durante o caso. 

“Entre a ligação e a chegada da Polícia Militar (PM), eu fiquei o tempo todo parado na porta e o senhor não saiu da loja. No entanto, quando eu passei as características dele para a PM, ninguém parecido foi encontrado. Onde que ele foi parar? Ninguém explica como ele deixou o local”, cobra, ainda fragilizado pela hostilidade do agressor.

Câmeras

Um detalhe que pode ser fundamental para a polícia conseguir esclarecer este caso e determinar, de fato, como tudo aconteceu, são as imagens registradas pelo circuito interno de câmeras do local.

“O mercado têm câmeras, mas precisa checar se esse fato foi captado”, informou um funcionário do supermercado. 

Essa foi, no entanto, a única informação que o estabelecimento prestou ao JC. Segundo a gerência, os advogados da empresa teriam orientado para que nenhum pronunciamento sobre o caso fosse feito.


ABD defende leis mais rígidas

O coordenador da Associação Bauru pela Diversidade (ABD), Rick Ferreira, ressalta que a entidade acompanhará de perto o andamento do caso. “Se for necessário, nossos advogados vão utilizar as disposições da Lei Estadual 10.948/01, que define penalidades tanto para pessoas jurídicas, quanto para pessoas físicas em virtude da prática de discriminação em razão de orientação sexual”, salienta.

“Não adianta os direitos da comunidade gay aumentarem, se as leis para punir quem prática crime contra os homossexuais também não for mais rígida e punir, de fato”, defende o presidente da ABD, Marquinhos Souza. “Por isso, em 2012 – inclusive na Parada da Diversidade, vamos lutar pela aprovação do PLC 122 ( que aborda variadas manifestações que podem constituir homofobia)”, finaliza. 

Fonte: JCNet

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