sábado, 24 de dezembro de 2011

Padre espanhol impede batizado ao descobrir que padrinho é gay


Um padre da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Huelma, no sul de Espanha, impediu a celebração de um batizado quando descobriu que o padrinho era gay, estando casado pelo civil com outro homem, algo permitido pela lei espanhola. 

A família levará o caso a tribunal. 

O escolhido para padrinho de uma menina de seis meses é também ex-catequista, trabalhador da Cáritas (seção de ajuda humanitária da igreja católica), membro de confrarias e diz -se católico praticante. 

Em declaração à imprensa espanhola, a mãe da criança, Dolores Muñoz, disse que a família e os padrinhos cumpriam todas as normas requeridas pelo sacerdote quando levaram a documentação. 

«Perguntaram se pais e padrinhos estavam batizados e confirmados. Depois se todos estávamos casados e respondemos que sim. Nunca pensamos que teríamos que avisar que ele era casado, mas com um homem. Ele cumpria as normas», explicou. 

Mas para o padre Manuel García, a revelação da homossexualidade do padrinho foi motivo para impedir o batismo. No sábado, disse à família que só batizaria o bebé se escolhessem outro padrinho. 

Os pais da menina enviaram uma carta ao arcebispo da província de Jaén e quinta-feira denunciaram publicamente, juntamente com uma associação de homossexuais, o caso que definem como discriminatório. 

A polémica provocou uma resposta pública do arcebispado, que enviou um comunicado apoiando o padre e advertindo que um padrinho católico precisa ter uma vida «congruente». 

A nota cita o Código de Direito Canónico, nº874, que descreve os requisitos para os padrinhos de batismo: «deve ser católico, estar confirmado, ter recebido o santíssimo sacramento da Eucaristia e levar uma vida congruente com a fé e a missão que vai assumir». 

Sem usar as expressões gay ou homossexual, a nota do clero diz ainda que não se trata de um caso de discriminação. 

«Esclarecemos este tema para evitar os juízos sobre uma suposta discriminação na atuação do sacerdote, que apenas reitera a necessidade de cumprir a normativa eclesiástica universal», acrescenta.

Para a Associação Colega - Coletivo de Gays, Lésbicas e Transexuais - a decisão da igreja é «uma homofobia sacerdotal».

O grupo, que apoiará a família num processo contra o arcebispado, também se manifestou numa nota pública, afirmando que «custa a entender que um sacerdote persista no discurso de discriminação e ódio, em vez de propagar as mensagens de amor e respeito que o Evangelho anuncia». 

A associação disse ainda que, nos próximos dias, diversos voluntários procurarão o padre de Huelma para lhe entregar um documento denominado «guia breve de consciências limpas». 

O guia, segundo o coletivo, pretende explicar «que a fé cristã e a homossexualidade são compatíveis» e que os gays compreendem que «o avanço das mentalidades é lento. Na Igreja Católica mais lento ainda do que no resto da sociedade, mas há confiança em que este avanço aconteça». 


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